
Filipa Figueira, MSD Portugal: Na Gestão de Pessoas, one size doesn’t fit all
No seu comentário à LVIII edição do Barómetro Human Resources, Filipa Figueira, HR lead da MSD Portugal, afirma que «é urgente continuar a desenvolver culturas e lideranças que acompanham as suas pessoas e promovem um ambiente onde cada um se sinta bem e possa dar o seu melhor».
«Os resultados do mais recente Barómetro Human Resources mostram que nenhuma empresa considera a saúde mental como um tema crítico (0% muito significativo) e que 33% ainda a classificam como “pouco significativa”. Na minha opinião, este resultado, por si só, deveria acender um sinal de alerta para todos nós. Num momento em que o bem-estar está no centro das discussões sobre produtividade, retenção e cultura organizacional, a ausência de um verdadeiro sentido de urgência deve ser motivo de reflexão.
Nos dias de hoje, a saúde mental deve ocupar um lugar central nas conversas sobre bem-estar e cultura nas nossas organizações. Os resultados mostram efectivamente que a degradação da saúde mental pode ser atribuída a uma série de factores, e, perante este cenário, é fundamental que adoptemos uma estratégia holística. Deste modo, conseguimos reconhecer que os desafios que afectam as nossas pessoas estão interligados e que, ao abordá-los de forma integrada, podemos gerar um impacto positivo na sua saúde mental. Na MSD, temos procurado responder a esta complexidade através de uma abordagem sustentada em vários pilares: o programa Lyra, com foco na saúde mental e no acompanhamento individual; políticas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) e de flexibilidade; apoio à literacia financeira; e um investimento contínuo no desenvolvimento das nossas pessoas, preparando cada vez mais os nossos líderes para compreenderem e responderem às necessidades das suas equipas.
Estas diferentes necessidades estão espelhadas nas nossas organizações, e podemos inclusivamente ver no barómetro, numa outra questão sobre as gerações mais jovens, que estes encaram o trabalho de forma diferente. Acredito que estas novas gerações, tal como aconteceu com a COVID-19 que acelerou algumas práticas que já discutíamos há muito tempo, serviram como catalisador para uma evolução cultural, da sociedade e das organizações, reflectindo-se na evolução das práticas de trabalho.
É urgente continuar a desenvolver culturas e lideranças que acompanham as suas pessoas e promovem um ambiente onde cada um se sinta bem e possa dar o seu melhor. Não é surpresa ver que os resultados indicam que a principal causa para a degradação da saúde mental é o desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional (45%), e sinto que esta é uma necessidade que está, cada vez mais, presente em todas as gerações, sendo um sinal claro de que temos de continuar a adaptar as nossas políticas e práticas.
Enquanto profissionais de Recursos Humanos, estes temas do bem-estar e das diferentes gerações a conviver no mercado de trabalho devem estar no centro da nossa agenda estratégica. É essencial estarmos preparados para gerir toda esta complexidade, à qual se junta a discussão sobre a longevidade e o aumento da duração das carreiras, que acredito trazer vários desafios, mas também inúmeras oportunidades. Mais do que nunca, é crítico reforçarmos que, na Gestão de Pessoas, one size doesn’t fit all.»
Este testemunho foi publicado na edição de de Junho (nº. 174) da Human Resources, no âmbito da LIX do seu Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.