
Futuro do Emprego 2025_2030: Portugal no bom caminho. Espera-se!
Por António Saraiva, Business Development manager_ISQ Academy
Por vezes esquecemo-nos de pesquisar, mas acima de tudo reflectir, sobre menções importantes ao nosso País, em relatórios internacionais conceituados. Na verdade, a realidade deste rectângulo à beira-mar plantado é retratada no documento do Fórum Económico Mundial, sobre o Futuro do Emprego 2025.
Portugal, inclusivamente, destaca-se pelas estratégias, e até resultados, no mercado do trabalho e na preparação para os próximos anos, em que se realça um compromisso acentuado com a inovação, inclusão e desenvolvimento de competências. É de salientar que, da amostra portuguesa que deu origem às conclusões do estudo, 93% dos empregadores portugueses priorizam a contratação de especialistas para o desenvolvimento de ferramentas de Inteligência Artificial, muito acima da média global que é de 69%. Mas o mais relevante é que 79% destes mesmos empregadores aposta na requalificação e formação de trabalhadores, nomeadamente para maximizar a utilização da IA.
Dificilmente se poderá dizer que o caminho é longo, pois o tempo urge e de forma muito rápida, mas a verdade é que apenas 29% dos trabalhadores não necessitarão de formação até 2030, comparando com 41% da amostra global. Portanto, uma das grandes conclusões é que o esforço de investimento em upskilling é muito significativo. Em termos de reskilling, a percentagem é um pouco mais animadora (38%), mas mesmo assim com necessidades significativas de investimento. Contudo, uma das conclusões que se pode retirar, e que se encontra expressa neste Relatório, é que Portugal começa a destacar-se no esforço de equilíbrio entre o desenvolvimento de competências e as novas exigências de mercado.
Logicamente que os empregadores identificam claramente a necessidade de financiamento público para suprirem as respectivas necessidades de formação, já para não se falar na discussão sempre em aberto da necessidade alterações legislativas no âmbito laboral que acompanhem a realidade de um mundo com novos e exigentes desafios. Mas existe aqui um trabalho significativo das estruturas de gestão de pessoas nas organizações. Verifica-se que a taxa de rotatividade da força de trabalho em Portugal é baixa (9%), comparada com a média global de 22%. Isto significa que temos um factor de estabilidade laboral elevado. Se, por um lado, este fenómeno pode implicar uma maior identificação das pessoas com a organização, beneficiando a retenção de talento, perde, por outro lado, uma dinâmica de atracção específica de talento. Logicamente que a retenção é fundamental, desde que se considere relevante o desenvolvimento de competências, e mesmo de carreira, dentro de cada organização, mas poderá obstar a que uma dinâmica de renovação seja conquistada. Como dira o ditado: “não há bela, sem senão”. E porque isto é importante? É que 44% das competências centrais identificadas sofrerão alterações até 2030. Ou seja, sem se escamotear a importância da estabilidade, há que, no mínimo, serem geradas dinâmicas que potenciem novas competências nas organizações.
E há um resultado extremamente relevante e animador, em particular no que respeita a discussões recentes, a que a comunicação social tem dado algum eco, seja por bons ou menos bons exemplos. Mas o importante é que, no resultado da amostra que serviu de base a este Relatório, 87% das organizações no nosso País priorizam iniciativas de diversidade, equidade e inclusão, um pouco acima dos resultados globais. Como se costuma dizer… que assim seja! Não só por é moda ou de forma mais objectiva factor de progresso. Acima de tudo, porque no centro de toda a transformação do mercado actual estão… pessoas!