Futuro inovador e inclusivo à luz da Gestão de Pessoas

Por António Saraiva, Business Development manager da ISQ Academy

Num mundo impulsionado pela tecnologia, pela diversidade e na busca por propósito, a gestão de pessoas assume, cada vez mais, um papel estratégico e transformador. O futuro laboral não é apenas digital — é acima de tudo humano, inclusivo e inovador, em que a gestão de pessoas pode ser o motor desse futuro mais justo, criativo e sustentável nas organizações.

A inovação não nasce apenas da tecnologia, mas da capacidade humana de imaginar, criar, colaborar e resolver problemas. Uma gestão de pessoas orientada para o futuro deve fomentar culturas de aprendizagem contínua, onde o erro é visto como parte do processo criativo, valorizar a diversidade de pensamento, promovendo equipas multidisciplinares e intergeracionais e incentivar a autonomia e o intraempreendedorismo, criando espaço para que cada colaborador contribua com ideias e soluções.

E a inclusão vai além da representatividade: permite garantir que todas as pessoas se sintam valorizadas, escutadas e com oportunidades reais de crescimento. Neste particular, a gestão de pessoas deve desenvolver políticas de equidade, com foco em género, etnia, idade, orientação sexual, neurodiversidade. Há que rever os processos de recrutamento e de progressão na carreira, eliminando eventuais vieses inconscientes, bem como criar ambientes psicologicamente seguros, onde todos possam expressar-se sem receio de julgamento ou retaliação.

E é neste contexto que existe um forte desafio para a liderança. Logicamente, há que equilibrar competências técnicas com inteligência emocional. Uma espécie de liderança humanizada que escuta activamente e lidera com empatia, reconhecendo as necessidades individuais, que utiliza dados e tecnologia para personalizar a experiência do colaborador, sem perder o tal “toque” humano, bem como, e de forma fundamental, promove o bem-estar e a saúde mental, reconhecendo que a produtividade está directamente ligada ao equilíbrio emocional das pessoas.

E é neste alinhamento que as ferramentas digitais, a inteligência artificial e a automação podem ser grandes aliadas da gestão de pessoas, desde que utilizadas com ética e foco no ser humano. Desta forma, ganha particular ênfase o people analytics para decisões mais justas e baseadas em dados, as plataformas de aprendizagem adaptativa, de forma a ser respeitado o ritmo e estilo de cada pessoa e as designadas soluções de acessibilidade digital, que garantem inclusão de pessoas com deficiência.

O futuro do trabalho será, e é, moldado por organizações que colocam as pessoas no centro da inovação e da inclusão. A gestão de pessoas, mais do que no passado, tem de ser estratégica, sensível e visionária. Como os números falam por si, realce-se empresas portuguesas com o selo “Marca Entidade Empregadora Inclusiva” (IEFP). Já são mais de 50 organizações distinguidas, incluindo empresas públicas e privadas, em critérios como a integração de pessoas com deficiência, acessibilidade, igualdade de oportunidades e progressão na carreira. E com um impacto significativo e reconhecido na promoção activa da inclusão no mercado de trabalho português. Outros exemplos existem fora desta iniciativa, felizmente, mesmo existindo um longo caminho a percorrer.

Construir um futuro inovador e inclusivo não é apenas uma responsabilidade ética — é sem sombra de dúvida uma vantagem competitiva.

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