Gerir talento num contexto multigeracional

Leonor Martins
27 de Agosto 2019 | 10:45
Gerir talento num contexto multigeracional

«Há que evitar a tendência de assumirmos opiniões binárias. Não se trata da importância do colaborador sénior ou do colaborador mais novo, mas sim da importância dos colaboradores.»

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Por Luísa Neto Pereira, executive manager of LNP Luísa Neto Pereira, Consultoria e Assessoria de Gestão

 

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Vivemos num contexto marcado por alterações demográficas, as quais criam novos desafios à sociedade. Uma das mudanças mais dinâmicas acontece nos locais de trabalho, com o crescente número de colaboradores seniores. Factores ligados à saúde, económicos, sociais e legislativos estão a contribuir para esta tendência, que apresenta diversas oportunidades e desafios.

Por outro lado, muito se tem escrito sobre millennials e as gerações mais novas: como gerir, motivar e reter. Apesar de pertinente, esta discussão poderá ser bastante incompleta se não adoptarmos uma perspectiva multigeracional. É fundamental reflectir para além das diferenças, colocar a tónica no que é complementar e averiguar qual é, de facto, o valor – se é que existe – de alguns estereótipos, e o impacto que têm na gestão das organizações e das sociedades em geral.

Actualmente, muitas das práticas de gestão e dos sistemas de gestão de talento continuam a centrar-se nos colaboradores enquanto indivíduos e não enquanto valor sinérgico das equipas. Além disso, continuam a não considerar colaboradores seniores e, portanto, a contribuir para o reforço de um conjunto de crenças e mitos em torno do impacto do factor idade no desempenho.

Percepções como “os colaboradores seniores são menos competentes, menos inovadores, mais resistentes à mudança, menos capazes cognitivamente” podem influenciar as práticas de investimento na formação de colaboradores e levar à descriminação nas políticas de recrutamento e de mobilidade entre funções nas organizações.

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O desafio que se coloca passa por transformar o conceito e as práticas de gestão de talento, garantindo a sua actuação de acordo com o contexto atual e as necessidades futuras:

– Definir ou repensar qual é o conceito de talento – não tanto em termos conceptuais, mas, essencialmente, quais os critérios que as organizações utilizam para definir o que é puro talento, que será alvo de programas de capacitação mais intensos. Portanto, reflectir se a idade é um dos critérios para definir quem fica ou não numa pool.

– Criar propostas de valor para os colaboradores – hoje em dia fala-se muito no Employee Value Proposition (EVP) – e que isso seja adequado ao conhecimento do capital humano da organização e não com base em segmentações generalistas;

– Continuar a promover uma cultura de diversidade, que culmine numa versão multigeracional.

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Essencialmente, há que evitar a tendência de assumirmos opiniões binárias. Não se trata da importância do colaborador sénior ou do colaborador mais novo, mas sim da importância dos colaboradores. O ponto-chave é reconhecer a existência das várias gerações, pondo de lado estereótipos e tendo como prioridade conhecer as pessoas e as equipas, e dessa forma capitalizar as diferenças em propostas de valor para o negócio.

 

Referências bibliográficas: Organizing Age (Stephen Fineman); Managing the Older Worker (Peter Cappelli and Bill Novelli); Retaining Mature Knowledge Workers: The Quest for Human Capital Investments (Mojca Kogovsek e Metka Kogovsek); Employee relations challenges of an ageing workforce (Emma Parry e Lynette Harris); Developing and validating an instrument for measuring managers’ attitudes toward older workers (Arménio Rego, Andreia Vitória, Miguel Pina Cunha, António Tupinambá e Susana Leal)

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