Home office? Experimente antes out in the office. E conheça as 10 dimensões que contribuem para um clima criativo

Em pleno momento de inspiração no meu home office, com um vívido chilrear como música ambiente, questiono-me sobre a necessidade de se promoverem espaços de trabalho que estimulem a geração de novas ideias e a criatividade – do espaço físico ao psicológico, sem esquecer o social. Uma espécie de “out in the office”. Pela janela, o sol do final de dia teima em aparecer.

 

Por Rita Oliveira Pelica, chief Energy officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

Rasgos de inspiração e de criatividade todos temos, por vezes até em momentos que nos parecem inusitados: no duche, a conduzir, a fazer uma caminhada e até mesmo à noite, quando vamos “dormir sobre o assunto”. Será que se reveem nestas palavras? O paradoxo de sermos mais criativos quando não estamos precisamente a pensar nisso… e, usualmente, fora do escritório. Sem pressão. Os famosos momentos de incubação e de iluminação!

Será que a criatividade pode realmente florescer entre quatro paredes? Será que flui melhor quando estamos em open office, tal como quando somos mais “mente aberta”? E se existisse uma espécie de out in the office? (entra uma ideia luminosa…) Permitir que a nossa imaginação vagueasse (lá para fora), mas cá dentro (do escritório).

Sendo o processo de ideação uma etapa fundamental na vida do intraempreendedor e vital para a sustentabilidade das organizações, este tem uma grande responsabilidade na criação e no desenvolvimento dos espaços de trabalho. E não me refiro às mesas e cadeiras ergonómicas. Penso especificamente na atmosfera física, psicológica e social.

Ekvall apresenta-nos as 10 dimensões que contribuem para um clima criativo, precisamente considerando as três esferas acima mencionadas. São elas:

1. Tempo para as ideias: ter tempo para pensar, marcado na agenda, enquanto uma actividade de valor acrescentado;

2. Suporte às ideias: como é que as novas ideias são normalmente recebidas? Isso nunca vai funcionar ou, pelo oposto, podemos experimentar e ver se funciona;

3. Aceitação de risco: no desenvolvimento de novas ideias há sempre um risco associado. É permitido falhar? Assumir que pode correr mal? Testar e aprender;

4. Liberdade: dar a possibilidade aos colaboradores de terem autonomia na tomada de decisão e de serem responsáveis pelas suas acções;

5. Dinamismo: o entusiasmo que se vive e sente num determinado ambiente – a sua vitalidade;

6. Playfulness e humor: um clima de boa-disposição, sem ser o “à vontadinha”, mas no qual as pessoas se sintam confortáveis e motivadas;

7. Desafios: num ambiente que seja um estímulo constante na procura de novas possibilidades, principalmente num contexto de complexidade, como o actual;

8. Debate: o encorajamento à troca saudável de “impressões” e não à aniquilação de diferentes opiniões;

9. Conflito: a gestão de conflitos entendida como algo positivo, caso estes sejam bem geridos, por oposição ao mal-estar que por vezes paira no ar e não é assumido;

10. Confiança e abertura: a segurança psicológica que se sente e a tolerância para experimentar algo novo, fazer diferente.

Uma cultura empreendedora assenta nestas variáveis, com as perfeitas “condições climatéricas” para se criarem espaços seguros, físicos e, acima de tudo, mentais. A cultura está em todo o lado, é o ar que se respira nas organizações. A que se aspira. Inspiremo-nos com o out in the office!

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