Kleya: Gestão de expectativas

Há cada vez mais profissionais de outros países interessados em trabalhar no nosso país. Para os apoiar nessa mudança existem empresas que se dedicam a projectos de relocação.

 

A Kleya dá apoio a empresas e a profissionais internacionais que desejam mudar-se para trabalhar no nosso país. Desde toda a burocracia envolvida à preparação para a mudança, nomeadamente no que diz respeito à residência e à matrícula na escola para as crianças, este é um trabalho complexo que, em alguns casos, pode demorar nove meses ou mais. Alexandra Cesário, Customer Experience officer & co-founder da Kleya, explica à Human Resources Portugal o que está em causa num processo típico de relocação.

 

Quais os factores mais importantes a considerar na relocação de cidadãos estrangeiros para Portugal?
Na nossa experiência, tudo começa com um bom planeamento antecipado, já que, dependendo das necessidades do colaborador, do tipo de relocação e se são oriundos do Espaço Schengen, os timings e processos são diferentes. Nesta fase, focamos muito no “como é viver em Portugal” para alinhar expectativas.

Na Kleya, oferecemos um serviço completo que inclui o enquadramento de temas de residência e fiscalidade, permitindo analisar qual o melhor caminho para obter a autorização de trabalho. É imperativo que tudo isto fique definido no início para evitar perdas de tempo ou descoordenação.

O nosso foco é que a empresa se possa dedicar ao seu “core business”, sem se preocupar com o “Relocation” e, ao mesmo tempo, que os colaboradores da empresa não sofram com o stress da mudança para estarem focados no seu trabalho e desfrutarem ao máximo da qualidade de vida em Portugal.

 

Quais os desafios mais comuns?
Diria que o desafio mais comum é a gestão de expectativas geradas. Para colaboradores que vêm com família, a preocupação com a escola dos filhos é crucial e define os timings de tudo. As escolas internacionais com sistema IB são muito procuradas, pelo que as inscrições devem ser feitas até ao início do ano. A grande maioria dos nossos clientes nesta situação não avança com o planeamento da mudança sem ter a garantia da inscrição na escola que desejam. Isto leva a que possamos começar a trabalhar com um cliente nove meses antes da mudança ou mais.

Geralmente, as expectativas prendem-se com o estilo de vida desejado e a localização do trabalho/escola, o que influencia a procura de apartamento.

O nosso foco passa, assim, por alinhar as expectativas com o planeamento burocrático, seja o pedido de NIF, Registo da SS, inscrição no SEF ou os vistos – é uma gestão de projecto que não é fácil porque há muitas dependências de um número alargado de entidades.

 

De que forma é feito o acolhimento e posterior acompanhamento em Portugal?
Quando chegamos à fase do acolhimento, o mais difícil já passou. Há obviamente algumas burocracias que só podem ser feitas quando se mudam, mas se o planeamento for bem feito, esta fase é mais leve. No entanto, surge a questão das expectativas. Os primeiros tempos são de adaptação e se, nós na Kleya, não mantemos uma certa perspectiva de estrangeiro, podemos correr o risco de encarar certos elementos da nossa realidade como conhecimento comum, mas que para os nossos clientes, são situações novas e, como tal, podemos falhar nesse apoio.

Isto também nos leva às diferenças culturais. Se é certo que o nosso país é extremamente acolhedor, um cidadão que queira morar em Portugal depara-se com uma realidade que quem visita não se apercebe, como é o caso do sentido do trânsito em hora de ponta para quem se desloca para o escritório ou tem de levar os filhos à escola.

 

Quais as categorias profissionais e sectores de actividade em que é mais habitual projectos de relocation para Portugal?
A presença contínua do Web Summit tem dado muito destaque a Portugal, em concreto para os profissionais da Economia Digital. Temos sido contactados por muitas empresas de software, mais concretamente Fintechs.

Por outro lado, o facto de Portugal oferecer segurança e infra-estruturas de qualidade chamou a atenção de sectores mais tradicionais como a consultoria, Indústria Automóvel e Farmacêuticas, levando à criação de Hubs em Portugal.

O fenómeno mais recente que tem vindo a ganhar expressão são os Corporate Nomads. O facto de as empresas estarem mais abertas a um modelo híbrido (presencial/ remoto) e até puramente remoto, muito devido à pandemia, gerou esta nova tendência, em que é o próprio colaborador que propõe trabalhar remotamente e opta por mudar-se para o nosso país.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Relocation” publicado na edição de Junho (n.º 138) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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