
Lições da sétima arte para a Gestão de Pessoas: O “bem” sempre em jogo
O “O Atentado de 5 Setembro”, do realizador Tim Fehlbaum e com Peter Sarsgaard e Ben Chaplin nos principais papéis, é um filme de 2024, baseado em factos reais e nomeado para o Óscar de “Melhor argumento”.
Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media
O filme centra-se no atentado contra a comitiva de Israel, durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. A Alemanha pretendia fazer esquecer os Jogos Olímpicos de Berlim, organizados por Hitler, em 1936, e dar um sinal de união e de paz entre os povos. Para demonstrar esse clima de confiança, os polícias não usariam armas, pois bastaria a sua presença para que todos se comportassem de forma respeitadora. Além disso, era a prova do desenvolvimento germânico industrial e tecnológico, a seguir à Segunda Guerra Mundial.
Várias estações televisivas de todo o mundo fazem a cobertura das diversas competições para todo o planeta. Uma delas é a americana ABC, que destacara vários profissionais e jornalistas da área do desporto para Munique. A abertura dos Jogos Olímpicos e os dias seguintes são um êxito. Mark Spitz, na natação, soma medalhas de ouro umas a seguir às outras.
Na noite do dia 5 de Setembro, o grupo terrorista árabe “Setembro Negro” invade os quartos dos atletas israelitas. Mata logo alguns e sequestra cerca de uma dezena. Nesse momento, um dos jornalistas da ABC ouve o tiroteio e constata que os seus aparelhos de rádio captam o que se passa. Telefona aos responsáveis superiores que decidem acordar todos os colaboradores, dirigindo-se de imediato para o local onde estão sediados. A sua localização é muito próxima dos alojamentos israelitas e, por isso, ouvem e conseguem ver o que está a acontecer. Estudam o mapa do edifício e da zona circundante. Decidem colocar câmaras de filmar em posições estratégicas e enviar jornalistas que, mais de perto, obtivessem dados seguros.
Surge então a pergunta-chave: o que fazer? Começar a transmitir em directo? As divergências aparecem, ao dar-se conta do impacto nos espectadores. Os dois responsáveis máximos trocam argumentos a favor e contra. Um dos “novatos” intervém com uma solução equilibrada: iniciar a transmissão “ao vivo”, respeitando o “direito à informação”, mas, se a crueza da situação evoluísse para episódios sangrentos com imagens chocantes, focariam outros aspectos. Assim, poupariam aos familiares dos diversos intervenientes assistir em directo ao drama fatal dos seus entes queridos. Cada decisão é, dessa forma, pensada e só depois executada, sem precipitações. O que é importante é “o bem” que está em jogo.
Dividem as tarefas, com indicações precisas e objectivos claros. Estudam bem o tipo de “vocabulário” a usar. Estão em constante comunicação entre si. Corrigem erros, como quando se dão conta de que os terroristas também vêem as imagens e ficam a saber por onde andam os polícias. Todos sentem que estão a colaborar em algo maior que os seus interesses individuais.
Querem acertar e não brilhar a título pessoal – e isso é o que os fez deixar uma marca na História!
Leia o artigo na íntegra na edição de Junho (nº. 174) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.