Liderar com mundo. A marca que fica: liderança no feminino como presença, influência e legado

Muitas mulheres enfrentam o desafio de conquistar autoridade sem abrir mão da sua autenticidade. A marca pessoal permite exactamente isso: posicionar-se com clareza, firmeza e verdade, mostrando quem se é, quais os valores que se defende e que estilo de liderança se exerce.

 

Por Maria Duarte Bello, CEO da MDB – Coaching & Gestão de Imagem, ex-coordenadora do Programa Youth

 

No desenvolver uma marca pessoal sólida, a mulher líder quebra estereótipos ainda presentes no imaginário colectivo, como a ideia de que a empatia é sinal de fraqueza, ou de que sensibilidade é incompatível com decisões difíceis. Pelo contrário, ao deixar claro que a sua liderança se sustenta em experiência, visão estratégica e valores humanos, transforma características antes vistas como frágeis em grandes forças. A coerência entre discurso e prática torna-se, então, um dos pilares da sua identidade pública: lidera como vive, com integridade e propósito.

A autenticidade é uma das maiores forças da liderança feminina e, ao mesmo tempo, um dos elementos mais potentes na construção da marca pessoal. Num mundo onde os discursos são facilmente copiados e onde a superficialidade muitas vezes domina, a mulher que lidera com verdade destaca-se naturalmente. Ser autêntica não significa expor tudo ou ser transparente sem filtro, significa, antes, alinhar discurso, prática e valores de forma coerente, mesmo perante as pressões externas.

Esta postura genuína é um antídoto poderoso contra a síndrome da impostora, que ainda afecta muitas mulheres nos ambientes de liderança. Ao reconhecer e comunicar a sua história, valores e competências com clareza, a líder reafirma a sua legitimidade, não como alguém que chegou “apesar de tudo”, mas como alguém que está ali por mérito, visão e capacidade de transformar. A autenticidade, neste sentido, é um pilar de segurança interna e um guia para a tomada de decisões, pois ajuda a manter o foco mesmo perante críticas, expectativas alheias ou dilemas éticos.

Na prática, uma marca pessoal autêntica manifesta-se de diversas formas: na maneira de comunicar, nas causas que escolhe apoiar, nas alianças que constrói e até no estilo de liderança adoptado. Ao não tentar agradar a todos, a líder passa a atrair aqueles que realmente se conectam com os seus princípios. Torna-se referência não porque se molda ao ambiente, mas porque transforma o ambiente com a sua presença. E é justamente esta consistência entre o que se é e o que se entrega que torna asua marca pessoal tão poderosa, memorável e, acima de tudo, transformadora.

 

Tornar-se visível, com autenticidade e propósito
A visibilidade estratégica é um elemento-chave na construção da marca pessoal e, especialmente para mulheres em cargos de liderança, um recurso essencial de afirmação, influência e expansão. Durante muito tempo, as mulheres foram ensinadas, explícita ou subtilmente, a “trabalhar duro em silêncio”, na crença de que o reconhecimento viria naturalmente. No entanto, ser boa no que se faz não é suficiente: é preciso ser vista, lembrada e reconhecida. E é justamente aí que a visibilidade estratégica se torna um pilar da liderança feminina.

Além disso, ao tornar-se visível, a mulher líder aumenta a capacidade de gerar impacto sistémico. A sua marca pessoal começa a influenciar para além da sua empresa, tornando-se referência no seu sector, modelo para outras mulheres e agente de transformação cultural. Sobretudo, entende que tornar- se visível é também ocupar espaços de poder, abrir caminhos para outras mulheres e influenciar as conversas que moldam organizações e sociedades. A visibilidade, quando aliada à autenticidade e ao propósito, deixa de ser vaidade para se tornar legado. A sua liderança torna-se um espelho possível, uma referência viva de que é viável liderar com autenticidade, propósito e valores humanos.

Além disso, as líderes que se destacam pela sua autenticidade e coerência tendem a atrair ao seu redor uma rede de apoio e colaboração baseada na confiança e sororidade. A marca pessoal, neste caso, actua como um campo magnético, não comunica apenas quem a líder é, mas também o que representa, e isso tem um poder mobilizador. Outras mulheres sentem-se encorajadas a partilhar as suas vozes e experiências, e a construir juntas ambientes mais diversos, inclusivos e transformadores. Esta influência vai além do ambiente organizacional. Alcança as redes sociais, os eventos, os espaços públicos de fala e decisão, tornando-se um instrumento de impacto social, de transformação de mentalidades e de abertura de novos horizontes para as gerações que virão.

Nenhuma liderança se sustenta de forma isolada. Por mais competente que seja uma líder, a sua trajectória é fortalecida, ampliada e sustentada pelas conexões que constrói ao longo do caminho. É neste contexto que o networking se revela não apenas como uma ferramenta de oportunidade, mas como uma dimensão estratégica da liderança e da marca pessoal.

O networking, entendido aqui como a construção intencional de relações significativas vai muito além da troca de cartões ou de contactos nas redes sociais. Está profundamente ligado à criação de pontes reais, baseadas na confiança, na reciprocidade e no alinhamento de valores e, principalmente, no sentimento de pertença a um ecossistema de líderes com objectivos semelhantes. Para muitas mulheres, este apoio mútuo é essencial para sustentar a confiança, superar desafios e continuar o crescimento.

Que cada mulher que lidera, formalmente ou não, perceba que a sua marca pessoal é um instrumento de transformação. Não apenas para si, mas para muitas outras. Que ao ocupar o seu espaço, o faça com dignidade, clareza e leveza. Que fale com o que vive e viva o que acredita.

Porque, no fim, não se trata apenas de sermos lembradas. Trata-se de sermos sentidas. E de deixarmos marcas que ressoam, humanas, verdadeiras, inteiras.

 

Este artigo foi publicado na edição de Agosto (nº. 176) da Human Resources

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