Liderar com Mundo: Pilares para um estilo de liderança colaborativa

Quando as diferenças se transformam em riqueza.

 

Por Mónica d’Orey Santiago, co-presidente da PWN Global e presidente fundadora da PWN Lisbon

 

Estudei em colégios estrangeiros e vivi fora de Portugal desde muito cedo, experiência que me permitiu conviver com diferentes culturas e compreender, desde cedo, a riqueza que nasce da diversidade. Talvez por isso, desde o início da minha vida profissional, procurei integrar equipas onde predominassem ambientes internacionais e multiculturais.

O domínio de cinco línguas contribuiu decisivamente para a minha ascensão, abrindo portas e aprofundando o meu interesse em estar com pessoas e contextos distintos. Aliado ao meu percurso de vida, esse factor proporcionou-me uma carreira extremamente enriquecedora, marcada por desafios constantes e episódios que ampliaram a minha visão da sociedade. Tive a sorte de ter trabalhado com os principais mercados da Europa e dos Estados Unidos da América.

Assumi funções de liderança muito cedo, coordenando equipas compostas por profissionais séniores de diferentes especialidades. Sempre valorizei um ambiente pautado pela colaboração, pela confiança e pela busca contínua de desempenho elevado.

Por natureza, delego com facilidade: distribuo responsabilidades de acordo com as competências, motivações e potencial de cada membro da equipa. Esforcei-me sempre por ouvir, compreender perspectivas e oferecer autonomia, convicta de que a liderança se constrói com – e nunca apenas sobre – as pessoas.

O meu estilo de liderança é intrinsecamente colaborativo. Acredito que liderar é um processo partilhado, onde o foco deve equilibrar pessoas e resultados. Não me revejo na tomada de decisões isolada nem na microgestão, práticas que, em ambientes internacionais, se tornam ainda mais desajustadas devido à diversidade de contextos culturais e profissionais. Sempre considerei essencial promover o contributo individual, captando o conhecimento próprio de cada pessoa para alimentar a criatividade, impulsionar a inovação e elevar a qualidade das decisões.

Creio que o êxito das equipas que conduzi resultou, sobretudo, de uma comunicação clara, aberta e orientada para um propósito comum. Procurei dar o exemplo, consciente de que muitos valorizavam a minha ética de trabalho, exigência e sentido de responsabilidade. Nunca evitei decisões difíceis; no entanto, mantive sempre a preocupação de assegurar um ambiente seguro, onde o erro fosse encarado como oportunidade de aprendizagem. A responsabilidade era minha!

Com o avanço da minha carreira e o aumento da minha senioridade, aprendi a ajustar o meu estilo à maturidade de cada equipa e às especificidades dos mercados onde actuávamos, sem nunca descurar as diferenças culturais e os percursos individuais daqueles que liderava. A longo prazo, estes princípios permitiram construir bases sólidas de confiança – condição essencial para o alinhamento em torno de objectivos partilhados.

Em última análise, o sucesso alcançado foi sempre o reflexo de um esforço colectivo, enriquecido pela diversidade cultural que cada pessoa trazia consigo. A união de experiências, línguas e sensibilidades distintas permitiu transformar diferenças em força criativa, ampliar horizontes e construir soluções mais robustas.

Foi essa convergência de visões, trabalhada com respeito e propósito comum, que consolidou resultados e deu verdadeiro significado ao caminho que tive muito prazer em percorrer.

 

Este artigo foi publicado na edição de Dezembro (nº. 180) da Human Resources

Pode comprar nas bancas. Ou, caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

Ler Mais