
Liderar na volatilidade: esperar para ver não é uma opção
Por Elsa Vila Lobos, People director da Job & Talent Powered by Multitempo
Vivemos tempos voláteis, rápidos e cheios de incerteza. Olhando para 2026, a pergunta certa já não é “quando vai haver estabilidade?”, mas sim “como posso eu ser um ponto de estabilidade para os outros?”. É nesta mudança de foco que se desenha a liderança de que precisamos.
Liderar hoje não é ter todas as respostas. É ler o contexto, sentir as pessoas e ajustar o caminho em tempo real. É avançar mesmo quando a informação é imperfeita, porque esperar demasiado deixa-nos para trás.
Num mundo cada vez mais automatizado, em que processos, dados e Inteligência Artificial ganham espaço, torna-se ainda mais importante preservar o lado humano da liderança. A tecnologia ajuda a decidir melhor, mas não substitui algo essencial: a intuição.
A aviação é um bom exemplo: a automação total ainda parece distante, porque, em momentos críticos, só o piloto consegue sentir o que o momento exige e agir. Liderar é semelhante: nem toda a informação do mundo substitui a sensibilidade de quem sente e decide.
Gerir na ambiguidade tornou-se uma competência central: tomar decisões com informação incompleta, manter a calma e evitar a transmissão da ansiedade. Saber quando acelerar e quando desacelerar continua a ser decisivo. Acelerar sem propósito desgasta e desacelerar sem visão paralisa.
É aqui que faz sentido pensar a liderança como um jogo de longo prazo. Simon Sinek, em O Jogo Infinito, sugere que muitas organizações ficam para trás porque os seus líderes jogam jogos infinitos com uma mentalidade finita. Por outro lado, os líderes que adotam esta mentalidade infinita constroem organizações mais fortes, resilientes e humanas, capazes de atravessar a incerteza sem perder o rumo.
Para 2026, a liderança precisa de ser consciente, corajosa e profundamente humana. Decidir com intenção, questionar quando necessário, avançar com coragem e usar a tecnologia como aliada, sem abdicar do que só as pessoas sabem fazer: sentir, interpretar e cuidar.
Texto escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em vigor desde 2009.