Mais de 80% das empresas reportam ganhos financeiros da acção climática

O inquérito climático How Companies Are Tackling the Climate Challenge – and Creating Value” da Boston Consulting Group (BCG) e da CO2 AI mostra que 82% das empresas inquiridas afirmam ter obtido benefícios económicos da descarbonização, sendo que 6% reportam um valor que excede 10% da receita anual.
Estes benefícios correspondem a um valor líquido (após custos) de 221 milhões de dólares (188 milhões de euros) por empresa e resultam, sobretudo, do crescimento da receita proveniente de produtos sustentáveis e de poupanças operacionais decorrentes de ganhos de eficiência e optimização de recursos.
Nos próximos cinco anos, as empresas planeiam aumentar os investimentos em mitigação, adaptação e resiliência, destinando mais 16% do orçamento de capital à sustentabilidade, o que equivale a um acréscimo de 69 milhões de dólares por empresa. Esta aposta ajuda a mitigar riscos climáticos, por exemplo, tornando activos resistentes às condições meteorológicas, mas também abre caminho ao crescimento verde, como linhas de produtos sustentáveis.
O risco climático está a ser levado mais a sério e as empresas estão também a antecipar o potencial financeiro da adaptação e da resiliência climática. Entre as empresas que avaliam tanto riscos físicos, como tempestades e subida do nível do mar, como riscos de transição, incluindo políticas e mudanças de mercado, a exposição financeira média projectada até 2030 é de 790 milhões de dólares. Quase metade das empresas reporta que os seus esforços de adaptação ao risco climático geram um retorno sobre o investimento superior a 10%, demonstrando que a preparação proativa entrega valor real e mensurável.
À medida que as empresas aumentam os seus investimentos e objectivos climáticos, também estão a reforçar as formas de financiar e operacionalizar a acção climática, bem como a expandir o uso de mecanismos de governação avançados. O inquérito revelou que um terço das empresas já aplica preços internos do carbono e que a adopção de planos de transição climática subiu cinco porcento face ao ano anterior, estando agora 61% destes planos aprovados ao nível do conselho de administração. Estas ferramentas representam uma mudança importante: a passagem de ambições pouco fundamentadas para estratégias climáticas operacionalizadas.
Ao colocar a sustentabilidade no centro da estratégia, um pequeno grupo de empresas está a concretizar benefícios financeiros equivalentes a cerca de 10% da sua receita. O relatório identifica quatro factores comuns entre as empresas que estão a gerar mais valor financeiro a partir da acção climática:
  • Medição detalhada de emissões e riscos (1,4x mais probabilidade de alcançar receitas significativas);
  • Quantificação do impacto através de preços internos do carbono e modelação de riscos (1,6x);
  • Adopção de planos de transição e adaptação (2,2x);
  • Utilização de múltiplas soluções digitais avançadas (2,3x).

 

O estudo revela ainda que apenas 7% das empresas reportam totalmente as emissões de gases com efeito de estufa nos níveis 1: emissões directas geradas pela própria empresa; 2: emissões indirectas associadas à eletricidade, vapor, aquecimento ou arrefecimento adquiridos ou consumidos; e 3: outras emissões indirectas na cadeia de valor, tanto a montante (fornecedores) como a jusante (utilização do produto), uma queda face aos 9% em 2024 e 10% em 2023.

De forma semelhante, o número de empresas com metas para reduzir emissões em todos os contextos definidas diminuiu três pontos percentuais face ao ano anterior, após ter atingido um máximo de 19% em 2023. A avaliação do risco climático também é limitada, com apenas 12% das empresas a considerar todos os tipos de riscos físicos e de transição.

O relatório baseia-se nas respostas de 1924 executivos responsáveis pela medição, reporte e iniciativas de redução de emissões das suas empresas. Estas empresas abrangem 16 grandes sectores e 26 países, em todos os continentes, sendo colectivamente responsáveis por 40% das emissões globais de GHG (greenhouse gases).