Mais de seis em cada 10 profissionais está preso num “crescimento fantasma” (com consequências graves para as empresas)

Mais de 65% dos trabalhadores norte-americanos estão presos num falso crescimento profissional, conciliando mais trabalho sem aumento salarial — alimentando a frustração, o burnout e as trocas em massa de emprego, noticia o Allwork Space.

 

Uma nova investigação da MyPerfectResume mostra que milhões de trabalhadores estão presos no “crescimento fantasma” (ghost growth, no original), ou seja, a ilusão de progredir na carreira sem aumentos, promoções ou autoridade real. Em vez de recompensas por um bom desempenho, muitos colaboradores enfrentam cargas de trabalho mais pesadas com pouca ou nenhuma remuneração, levando à frustração e burnout.

O inquérito descobriu que 65% experimentaram um crescimento profissional que parece superficial, enquanto 66% acreditam que os seus empregadores fazem uma espécie de “teatro de crescimento” — acções que parecem favoráveis, mas sem resultados reais. Quase metade dos inquiridos referiu ter atingido um plateau na carreira disfarçado por promessas vãs.

Os trabalhadores estão a assumir significativamente mais responsabilidades sem remuneração: 78% receberam novas funções sem aumento ou promoção, enquanto apenas 15% receberam aumentos salariais que reflectem o aumento das suas funções.

Mais de um terço afirma nunca ter sido remunerado de forma justa e mais de metade recebeu promessas de promoções ou oportunidades que nunca se concretizaram.

Este crescimento performativo tem consequências emocionais e práticas. Muitos trabalhadores referiram sentir-se frustrados (23%), esgotados (20%) ou desmotivados (15%), e 16% começaram a procurar emprego devido à estagnação do progresso.

A desconexão entre esforço e recompensa gera desconfiança, com 68% a considerar demitir-se devido a uma falsa promoção e 27%, na verdade, a abandonar o emprego por esse motivo.

A pressão para parecer bem-sucedido aumenta a tensão. Mais de metade dos trabalhadores sentem-se obrigados a mostrar sinais de crescimento na carreira, mesmo quando não existem, impulsionados pelas expectativas do local de trabalho, pelas comparações com os colegas ou pelas redes sociais.

Quando questionados sobre o que entendem por crescimento real, os trabalhadores enfatizaram resultados tangíveis: salários mais elevados (27%), melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (18%), cargos de liderança ou planos de promoção (16%) e desenvolvimento de novas competências (15%). Poucos acreditam que a autonomia por si só sinaliza um verdadeiro avanço.

A investigação destaca um alerta crítico para os empregadores: os esforços vazios de desenvolvimento de carreira prejudicam a confiança, alimentam a rotatividade e correm o risco de afastar os melhores talentos. O progresso genuíno ligado à remuneração e a trajectórias de carreira claras é essencial para manter os trabalhadores empenhados e motivados.

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