
Mariana Canto e Castro, Randstad Portugal: Reter, é preciso!
Mariana Canto e Castro, directora de Recursos Humanos da Randstad Portugal, acredita que «reter talentos é garantir a continuidade do propósito, a própria sustentabilidade da empresa. Empresas que mantêm os seus melhores quadros conseguem formar lideranças orgânicas, garantir planos sucessórios robustos e criar um ambiente de confiança, propício para a inovação».
«A retenção de talentos deixou de ser um tema de intervenção exclusiva da área de Recursos Humanos para ser uma responsabilidade compartilhada entre toda a empresa; indo mais longe, para passar a ser o pilar central da sustentabilidade competitiva de uma organização.
Num mercado de quase pleno emprego, muito globalizado e altamente dinâmico, o capital intelectual é o activo mais difícil de replicar: mesmo agora com o desabrochar da inteligência artificial.
É que, quando um colaborador de alto desempenho deixa a organização, ele leva consigo não apenas competências técnicas, mas o conhecimento tácito, a compreensão da cultura interna e as ligações estratégicas que agilizam os processos da empresa. E ainda que não seja um colaborador de alto desempenho, provoca sempre uma disrupção naquilo que se deseja como o “continuum” ideal para a produtividade. Sendo saudável a existência de turnover numa empresa, a rotatividade elevada gera instabilidade, sobrecarrega as equipas e impacta negativamente o clima organizacional.
O impacto surge em três vectores: estabilidade financeira, clima organizacional e inovação. Um destaque para o facto de, financeiramente, o custo de substituição ser muito elevado, envolvendo despesas de recrutamento, formação e a curva de aprendizagem do novo talento: estima-se um custo acrescido de 50% face ao salário em causa.
Reter talentos é, portanto, garantir a continuidade do propósito, a própria sustentabilidade da empresa. Empresas que mantêm os seus melhores quadros conseguem formar lideranças orgânicas, garantir planos sucessórios robustos e criar um ambiente de confiança, propício para a inovação. No longo prazo, a retenção consolida a marca gerando atractividade e facilitando o recrutamento… e o ciclo completa-se.»
Este testemunho foi publicado na edição de de Dezembro (nº. 180) da Human Resources, no âmbito do seu LXII Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.