Não há pessoas para trabalhar…

Por Ricardo Florêncio

 

Neste espaço, na edição de Janeiro, escrevi que 2022 seria o ano de todos os desafios para os gestores de Pessoas, pela multiplicidade de temas e questões, muitas delas muito sensíveis, que terão de ir gerindo ao longo do ano. E um deles será certamente a escassez de recursos humanos com que estamos a lidar. Se é verdade que já há alguns anos se falava desta situação com referência explicita às áreas de TI e relacionadas, hoje é transversal e chegou a muito outros perfis e necessidades. Diria que é mesmo global. E há sectores que já têm necessidade actuais e previsíveis e não sabem onde encontrar os recursos de que necessitam para desenvolver as suas actividades. Turismo, Construção Civil, Agricultura são alguns dos sectores de actividade que já deram conta desta situação. Mas são apenas algumas, pois o problema é geral. Assim assiste-se diariamente a um rodopio de novos recrutamentos, o que, em tempo de escassez, leva a que as empresas procurem retirar esses recursos a outras empresas, que por sua vez contratam a outras empresas, e assim sucessivamente. Ou seja, sem entrada de novos recursos, teremos as mesmas pessoas a rodar de empresa para empresa. Mas obviamente não será uma solução de médio, longo prazo.

Portugal, para colmatar as suas necessidades, tem de voltar a atrair pessoas para trabalhar, como já aconteceu no passado. Contudo, este processo poderá ser mais difícil do que foi anteriormente, pois as condições oferecidas podem não ser tão atractivas, dado que algumas das economias dos mercados que forneciam esta mão-de-obra já apresentam níveis de rendimentos mais altos do que tinham há uns anos. E assim, que soluções poderão e deverão ser encontradas? Que caminhos?

E, sim, 2022 será mesmo o ano de todos os desafios!

Editorial publicado na revista Human Resources nº 134, de Fevereiro de 2022

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