Nem todos querem ser CEO: A diversidade de aspirações profissionais!

Por Joana Carvalho, autora do livro “Seja o CEO da sua Carreira”

Nos dias de hoje, é comum ouvir que a ambição é um dos pilares do sucesso profissional e a imagem do CEO, como o ápice da carreira, é frequentemente promovida em discursos motivacionais, programas de liderança e até mesmo em ambientes académicos. No entanto, essa visão unidimensional do sucesso ignora uma realidade fundamental: nem todos têm como ambição chegar ao cargo mais alto da hierarquia corporativa. As aspirações de carreira variam amplamente entre os indivíduos e é fundamental reconhecer e valorizar essas diferenças, percebendo que cada um tem uma visão única do que constitui ser bem-sucedido. Para alguns, ser CEO pode representar poder, influência e realização pessoal, para outros, o sucesso pode ser encontrado em papéis que oferecem equilíbrio entre vida pessoal e profissional, oportunidades de aprendizagem contínua, ou a capacidade de contribuir para causas sociais.

Sabemos que, no mundo corporativo, a procura da progressão na carreira é frequentemente vista como o objectivo final de muitos profissionais, contudo, uma análise mais profunda mostra-nos que nem todos os colaboradores têm a ambição de se tornarem CEO. Este facto, que pode parecer surpreendente à primeira vista, reflecte uma diversidade de aspirações e motivações que são essenciais para a saúde organizacional e para o bem-estar dos colaboradores.

Historicamente, o desenvolvimento profissional era bem mais linear: iniciávamos em funções juniores e desenvolvíamos as carreiras até chegar ao topo da pirâmide de uma organização. No entanto, as novas gerações de profissionais estão a redefinir o que significa, para eles, o sucesso, sendo diversos os motivos apontados pelos que não o vêem como sinónimo do cargo de CEO. Se por um lado, alguns dão preferência a uma carreira que promova um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal, priorizando a satisfação no trabalho, a aprendizagem contínua e um ambiente mais colaborativo do que competitivo. Estes profissionais apontam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como o aspecto a ter mais em conta e, para estes, a pressão e a responsabilidade que advêm de cargos de alta direcção torna-se, claramente, um factor dissuasor. A procura de um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional é uma prioridade que tem vindo a crescer, especialmente entre as gerações mais jovens. Neste tópico cabe ainda a questão da importância que é atribuída à saúde mental e ao bem-estar físico e emocional como um todo. São muitos os profissionais que reavaliaram as suas metas de carreira e hoje estão muito mais inclinados para a valorização destes aspectos, colocando no topo das suas prioridades o equilibrio e a harmonia, demonstrando também preocupação com a satisfação no local de trabalho, aprendizagem contínua e um ambiente mais colaborativo do que competitivo.

Por outro lado, existem profissionais que se sentem atraídos por experiências mais diversificadas, variedade de desafios e a não linearidade do percurso. Reconhecendo maior importância e desejo pela diversidade de funções, sectores ou projectos, procuram uma carreira que lhes proporcione uma maior diversidade de experiências. Por oposição surgem os profissionais que se sentem motivados para uma carreira de especialista, querendo aprofundar e tornarem-se peritos nas suas funções específicas, em detrimento da gestão de equipas ou de chegarem a posições de liderança. Para estes profissionais a sua realização está em serem reconhecidos e tidos como uma referência técnica em determinada área ou sector.

Se quisermos correr o risco da segmentação, é entre estes dois últimos eixos que se encontram os profissionais que valorizam as oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento contínuo, o crescimento pessoal e a aquisição de novas competências que podem encontrar maior satisfação em funções cuja missão incentiva a educação contínua.

Desta forma, temos acompanhando um processo de transformação cultural nas nossas organizações: as empresas cada vez mais preocupadas com a sua capacidade de atracção e fidelização de talento, têm apostado no desenvolvimento de culturas que privilegiam o trabalho em equipa, que valorizam contribuições individuais independentemente dos títulos de cada um, com a expectativa de elevar a satisfação e o comprometimento dos seus colaboradores. Estamos todos cada vez mais conscientes da necessidade de criarmos um ambiente que respeita e valoriza as diferentes aspirações dos colaboradores, com real impacto numa maior retenção de talentos, aumento da satisfação global no trabalho e, consequentemente, um melhor desempenho organizacional.

A certeza de que nem todos aspiram a ser CEO não é só aceitável, como também é o desejável, uma vez que, sabemos actualmente, a diversidade de aspirações enriquece a cultura corporativa e contribui para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Para os profissionais de Recursos Humanos, a chave está em ouvirem e entenderem essas aspirações, adaptando as estratégias organizacionais para apoiar todos os colaboradores nas suas jornadas, cada vez mais únicas e personalizadas. Afinal, o sucesso de uma organização não é medido apenas pelo número de CEO. Ao reconhecer e apoiar a diversidade de objectivos de carreira, estamos a apoiar um ambiente mais inclusivo e satisfatório para todos e a impactar directamente no grau de satisfação e compromisso de todos os colaboradores.

A procura pelo sucesso é uma jornada pessoal e única – nem todos querem ou precisam de chegar ao cargo de CEO para se sentirem realizados – na certeza de que cada indivíduo tem suas próprias aspirações e motivações, e é essencial reconhecer que há muitas maneiras de alcançar a satisfação profissional. O sucesso não é definido por um título, mas sim pela paixão, a dedicação e o impacto que cada um de nós traz ao nosso trabalho, à organização e à sociedade como um todo.

Seja qual for o caminho que escolha, lembre-se de que a verdadeira realização vem de fazer o que realmente gosta, por isso não deixe de perseguir as suas paixões e de construir uma carreira que reflicta o seu propósito, quem é e o que realmente é importante para si!

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