
Neste Natal peça e ofereça feedforward
Por Alexandra Barosa, directora executiva do Curso de Coaching Executivo da Nova SBE e Managing partner da ABP Corporate Coaching
O Natal é tempo de partilha e, este ano, proponho um presente diferente: feedforward. Numa época em que a troca de presentes ocupa grande parte da nossa atenção, talvez seja tempo de dar um novo significado ao que verdadeiramente oferecemos uns aos outros. Entre embrulhos, luzes e desejos de “boas festas”, há um presente simples, mas profundamente transformador: a capacidade de orientar o outro para o futuro em vez de o aprisionar no passado.
Durante anos, falou-se muito do feedback — olhar para trás, avaliar o que correu bem ou mal, apontar correções, identificar falhas. É útil, sem dúvida. Mas é também limitado. O feedback, sobretudo quando mal aplicado, pode tornar-se num julgamento, numa revisitação de erros que o outro já conhece ou numa lista de imperfeições que pouco contribui para o desenvolvimento real. O feedforward, por outro lado, convida-nos a pensar no que está por vir, no que é possível melhorar, no que cada pessoa pode fazer melhor — e não no que fez mal.
Tal como o nome indica, pretende-se com feedforward “alimentar para a frente”, em vez de “alimentar para trás” (feedback), ou seja, em vez de nos situarmos no que se passou, indicando o que deveria ter acontecido, podemos optar por nos posicionar no futuro e clarificar o que poderá acontecer diferente quando a mesma situação surgir.
Quando oferecemos feedforward, estamos a transformar a informação contida no feedback em informação útil para o percurso que se aproxima. Perguntamos: a partir dessa constatação, o que poderá fazer no futuro para que não volte a acontecer? Esta simples mudança de foco evita que fiquemos presos a um passado que já não podemos modificar. Não se trata de debater o que se passou – passamos, aliás, demasiado tempo neste estádio. Trata-se de abrir possibilidades.
O feedforward também não critica nem julga as ideias apresentadas. Pelo contrário, demonstra disponibilidade para apoiar o outro, sem que haja necessidade de provar que sou melhor ou mais inteligente. É um convite a explorar as lições aprendidas com falhas e insucessos, a abrir campos de reflexão e ação ainda não identificados. E, talvez o mais poderoso: ajuda a visualizar e a focar num futuro positivo, em vez de um passado negativo. É sempre mais produtivo convidar alguém a refletir sobre como deverá atuar ou fazer, do que provar que estava errado. É positivo, concentra-se nas soluções e parte do princípio de que as pessoas são capazes de promover mudanças positivas para o futuro.
No momento em que as famílias se reúnem, as equipas encerram ciclos e muitos de nós revemos conquistas e desafios do ano, oferecer feedforward pode ser um ato genuíno de cuidado e respeito. É dizer: “Eu vejo o teu potencial. Quero contribuir para o teu caminho.” E é também ter a humildade de pedir o mesmo aos outros — porque crescer é um movimento contínuo, não uma meta alcançada.
Que neste Natal possamos trocar menos correção e mais possibilidade. Menos julgamentos e mais orientação. Menos passado e mais futuro. Que esta época seja não só de celebração, mas também de evolução.
Talvez este seja o presente mais valioso que podemos dar. É um presente sem custo e que ilumina o caminho com impacto duradouro. E o feedforward, generoso por natureza, é a oportunidade perfeita de começar. Peça feedforward, ofereça feedforward. Porque crescer é o melhor presente que podemos dar – e receber.