
O futuro do talento em IT: vencer num mercado global competitivo
Por Joana Mendes, Talent recruiter na PrimeIT
Trabalhar em recrutamento tecnológico é estar constantemente exposto à evolução do mercado, das tecnologias e, acima de tudo, das pessoas. Ao longo de quatro anos na empresa onde trabalho e dentro da unidade Nearshore, entre o mercado nacional e o internacional, percebi que recrutar vai muito além de mapear stacks técnicas ou validar anos de experiência. É um exercício contínuo de leitura de contexto, expectativas e maturidade profissional.
Os meus primeiros anos foram dedicados ao mercado nacional, a trabalhar com equipas inseridas em sectores altamente regulados e exigentes, como a banca, os seguros e a indústria automóvel. Nestes ambientes, a componente técnica é naturalmente crítica: requisitos bem definidos, standards elevados, preocupação com qualidade, segurança e continuidade dos sistemas. No entanto, rapidamente se tornou claro que o sucesso de um profissional de IT não dependia apenas da sua capacidade técnica, mas da forma como essa capacidade era aplicada no dia-a-dia já que num contexto mais local, a proximidade entre stakeholders expõe rapidamente fragilidades que não aparecem num CV. A capacidade de comunicar com diferentes pessoas, de justificar decisões técnicas, de adaptar linguagem a públicos não técnicos e de trabalhar em equipa são competências tão determinantes quanto o domínio de uma framework ou de uma linguagem específica. Aqui, soft skills e competências técnicas não competem entre si, complementam-se profundamente.
A transição para o contexto internacional, através da Prime Nearshore, trouxe um nível adicional de exigência. Embora o cumprimento de prazos, a qualidade técnica e a responsabilidade façam parte de qualquer contexto profissional, trabalhar com clientes e equipas distribuídas, com diferentes culturas, fusos horários e formas de trabalho, acrescenta novas variáveis à equação. Neste ambiente, ganha ainda mais relevância a capacidade de coordenar autonomamente, comunicar de forma clara e consistente, documentar decisões e assumir ownership num cenário mais complexo e interdependente.
Do lado dos candidatos, a principal aprendizagem destes quatro anos é clara: o crescimento profissional exige exposição ao desconforto. As tecnologias evoluem, os projectos mudam e o mercado torna-se cada vez mais competitivo. Investir em formação contínua, acompanhar boas práticas, consolidar bases técnicas e desenvolver pensamento crítico são passos essenciais, mas insuficientes se não forem acompanhados por atitude, curiosidade e vontade de evoluir.
Ao mesmo tempo, o mercado está mais rigoroso. Os processos de recrutamento são hoje mais técnicos, mais estruturados e mais criteriosos. Avaliam-se competências específicas, mas também a capacidade de resolver problemas, de trabalhar em equipa e de comunicar com clareza. Num ecossistema onde o talento é global, o profissional que se destaca é aquele que alia conhecimento técnico sólido a maturidade, postura e sentido de responsabilidade.
No final, recrutar continua a ser um trabalho técnico, sim, mas profundamente humano. E é nessa intersecção que se constrói valor real e sustentável.