É importante reflectir sobre o poder da tecnologia e das redes sociais, mas uma coisa é certa: os vieses são fruto da sociedade e não da xenofobia da inteligência artificial. Porque ela está a aprender connosco!
Por Daniela Lima, Managing partner da Swaifor
Vivemos tempos intensos e de profundas mudanças na sociedade. Não me cabe a mim julgar se é melhor ou pior, mas creio que muitos de “nós” procuram apenas um lugar seguro, onde sintam que fazem parte de um plano maior. Percebemos que, em certos momentos da nossa evolução como espécie, e em muito por força da falta de “massa crítica”, a mole tende a manifestar a sua visão turva e exacerbada pelos múltiplos preconceitos, que proliferam entre “nós” como ervas daninhas.
Neste quadro de rápida evolução, é incontornável não introduzir as buzzwords do momento: as tecnologias de informação, as redes sociais e a inteligência artificial (IA). É importante reflectir sobre o seu poder e sobre a responsabilidade dos seus utilizadores na alimentação dos múltiplos algoritmos que já fazem parte do nosso dia-a-dia.
Parece-me que nos encontramos a experienciar um contexto muito específico, em que vivemos uma perfect storm. Porquê? Porque percebemos que, nestes ambientes, os vieses, os preconceitos, a violência e o ódio encontram um campo fértil onde podem proliferar. Ou seja, o lado mais negro da nossa existência assume aqui um papel sobrenatural, pois é-nos permitido expressar sem filtro e de forma clara pelos múltiplos canais digitais toda a informação que bem se entenda, sem espírito crítico (contudo, é um crime!). Esta situação desperta em “nós” um medo sem precedentes dos outros que não encaixam no boneco.
A acrescer a este fenómeno emerge a aplicação da IA aos vários domínios da vida humana. Para continuar a evoluir, a IA irá “beber” a informação de que necessita a estes ambientes digitais. A sugestão de alimentar os algoritmos de IA nestes contextos específicos vai permitir a emergência de um conjunto de fenómenos que tanto nos preocupam como sociedade e que em muito se opõem às questões de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Mas o que fica claro como água é que “os vieses são fruto da sociedade e não são fruto da xenofobia da IA”, porque ela está a aprender connosco! Não podemos atribuir à IA a nossa responsabilidade como indivíduos e como sociedade.
Não é a minha intenção apontar o dedo, criar barreiras, criar fricção ou atrito, mas apenas abanar consciências, porque acredito que é possível construir pontes e trilhar novos caminhos. Contudo, não podemos descurar a nossa responsabilidade, temos de cocriar com responsabilidade, para construir um mundo melhor para as gerações futuras.
Neste sentido, cabe a todos “nós” a responsabilidade de lutar pelo direito à diversidade, à liberdade e a sermos quem quisermos, espelhando estes comportamentos nos múltiplos canais digitais. É possível ser gentil, é possível ser tolerante, e temos todos o direito a uma vida melhor e a “sonhar” com um futuro diverso, mais equitativo e inclusivo, para todos!
Este artigo foi publicado na edição de Julho (nº. 163) da Human Resources, nas bancas.
Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.














