Opinião: Falar de emoções precisa-se!

Titiana Barroso
16 de Outubro 2017 | 12:02
Opinião: Falar de emoções precisa-se!

A era digital está a impelir as empresas a rever os seus modelos de negócio e operações. Está também a alterar por completo os nossos comportamentos, rotinas e as nossas emoções.

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Paula Carneiro, directora de Recursos Humanos da EDP

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Esta transformação tem um impacto profundo na força de trabalho presente e futura. Falar de emoções, humanas e negativas, numa era em que o foco está cada vez mais centrado na automação e digitalização, é corajoso mas é, no mínimo, necessário.

Nos últimos 10 anos, na Europa, o trabalho como freelancer aumentou 45%. Hoje, 65% das crianças terão empregos que ainda não existem e, actualmente, nas empresas trabalham em simultâneo quatro gerações.

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Esta realidade implica novas formas de olhar para a “organização” e para o mundo do trabalho; exige novas formas de pensar a gestão das pessoas e novas competências que concorram para a transformação digital e para a agilidade permitida pelas novas formas de trabalhar, e exigida pela velocidade de transformação.

Até aqui nada de novo.

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Todas as evoluções se fizeram de transformações e ruturas mais ou menos abrangentes. No entanto, hoje, o ritmo a que todas estas evoluções se fazem é muito mais acelerado. Se pensarmos também que as diferentes gerações valorizam o trabalho e benefícios com pesos diferentes, talvez não seja difícil perceber que, eventualmente, as emoções negativas que hoje existem no local de trabalho também poderão advir de factores diferentes.

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Por um lado, podem estar relacionados com o medo que se sente em relação a esta aceleradíssima evolução e ao facto de cada vez menos existir mercado de trabalho para quem se sente de alguma forma digitalmente iliterado e menos preparado para trabalhar fora de uma organização com vínculo fixo. Por outro lado, podem ser fruto da frustração de quem chega de novo ao mundo do trabalho e fica com a  sensação de que dificilmente as suas expectativas de carreira e recompensa serão correspondidas, sendo menos rápidas e “fáceis” num contexto em que as organizações não os fazem sentir-se importantes e onde a sua vantagem tecnológica ainda compete com uma maioria mais experiente, e que continua a aprender a adaptar-se a esta nova realidade e permanecerá no mercado até uma idade cada vez mais avançada.

Há mais ansiedade e incerteza. A tecnologia, apesar de criar novos empregos, também transforma ou até elimina alguns deles. Também afecta as relações pessoais, aproximando-nos de pessoas distantes, e afastando-nos dos mais próximos. Mas, se o medo é uma das emoções negativas que podemos estar a sentir, é também uma reacção de sobrevivência que nos pode ajudar a desenvolver. Este desenvolvimento está cada vez mais centrado na própria pessoa e na sua iniciativa, independentemente da geração a que pertence.

Ao nível da liderança, há também um papel importantíssimo na gestão destas alterações e das suas consequências, emocionais e não só. Como garantir que, neste caminho da transformação digital, ninguém fica para trás, ao mesmo tempo que se exige a renovação da força de trabalho?

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Enquanto líderes, e de uma forma simplificada, diria que podemos:

– Acelerar a requalificação, a partir do topo, dando o exemplo, para todas as gerações, digital e culturalmente;

– Redesenhar o “modus operandi” da organização, com a criação de maior flexibilidade, colaboração e inovação no trabalho, alavancando o conhecimento e experiência diferenciada das várias gerações;

– Reforçar a aquisição e desenvolvimento de talento, alargando as fontes/ geografias de recrutamento, sendo mais diverso e inclusivo nos perfis e competências a injectar e a desenvolver na organização, nomeadamente apostando, por um lado na literacia digital e nas competências analíticas e, por outro, no desenvolvimento de competências como a criatividade, pensamento crítico e empatia.

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Se, como líderes, apostarmos nestes três eixos, bem como na celeridade e simplificação, e com eles contribuirmos para a regulação do medo e frustração no local de trabalho, estaremos simultaneamente a apostar no desenvolvimento de emoções positivas, que ao serem treinadas e reforçadas, potenciam a saúde organizacional, maior eficiência e produtividade.

 

Este artigo foi publicado na edição de Setembro da Human Resources Portugal.

 

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