Os assuntos incómodos

Sónia Almeida
22 de Junho 2017 | 15:18

Ricardo Florêncio 

Existe um conjunto de assuntos que todos acham muito importantes. Contudo a sua discussão, talvez por incapacidade de resolução ou por serem assuntos incómodos, que podem colocar em causa o status quo das organizações e dos seus responsáveis, vai sendo sucessivamente adiada, e assim são comentados em ambientes mais restritos e contidos. Apontemos alguns exemplos.

Para o mercado de trabalho, um indivíduo com mais 50 anos não existe. Em movimentos internos das empresas ainda há mercado. Mas para saídas para o exterior, as portas fecham se totalmente. Faz algum sentido abdicar de todo este potencial, conhecimento e experiência?  Claro que não. Todavia, é isso que acontece.

Muito se fala que a legislação laboral é um grande entrave ao desenvolvimento da economia. Em certos sectores de actividade, concordo que a legislação laboral apresente vários condicionalismos. Porém, generalizar o conceito não me parece acertado. Aliás, o que vai acontecer seguramente, como sempre aconteceu, é a legislação andar atrás do mundo real e não o contrário. Vai haver certamente nova legislação atendendo às novas formas de trabalho, ao job sharing, ao part-time, ao trabalho a distância e ao project job, e até mesmo em relação à robótica já se fala numa nova forma de tributar como mão-de-obra.

Relativamente à Segurança Social, é assunto abordado e debatido, mas soluções… os que estão hoje na casa dos 40 ou 50 olham com apreensão para o que irá acontecer quando chegarem ao tempo da reforma. Os que iniciam agora a sua vida profissional já sabem que nada sobrará… e qual a solução que tem sido posta em prática? Cortes nas pensões! Mas será este o caminho? Claro que não! É evidente que quem trabalhou 40 anos a descontar para a Segurança Social, e viu as suas empresas também contribuir para esse mesmo fundo, está no seu maior direito de exigir o pagamento das suas reformas. O que se pode e deve questionar, é se todos os que estão a receber a reforma contribuíram para terem esses mesmos direitos.

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Mas tem de haver outras soluções. Tem de ser encontrado um outro caminho. Estes são apenas três exemplos, mas mais poderiam ser aqui elencados. Pelo nosso lado, iremos aprofundar e espicaçar a discussão, para que possam ser encontradas soluções!

Editorial publicado na edição de Junho de 2017 da revista Human Resources

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