
Outubro pede menos pressa, mais direcção
Por Joana Carvalho, autora do livro “Seja o CEO da sua Carreira”
Nem todos os meses são de grandes mudanças, alguns servem para preparar o terreno. Se Setembro trouxe para muitos mais ruído do que acção, Outubro convida a recentrar, ajustar a bússola e agir de forma consciente.
A rentrée traz consigo a habitual energia dos recomeços: novos ciclos, novos projectos, novos objectivos. As redes sociais encheram-se de mensagens motivacionais. O calendário parecia propor um “segundo Janeiro”. E, com isso, surgiu também a pressão para regressar ao trabalho renovados e prontos para transformar intenções em resultados.
Mas nem sempre o contexto acompanha a vontade de mudança, muitas vezes faltam condições: disponibilidade, energia ou oportunidades no mercado e, por vezes, surge a inevitável frustração silenciosa de quem quer avançar, mas não consegue. Vejo este padrão repetir-se ano após ano, nos profissionais que acompanho, nas empresas com quem colaboro e até em conversas informais entre amigos. Há quem regresse das férias com planos claros: mudar de empresa, conquistar uma promoção, escalar o negócio. Mas, logo no primeiro embate com a realidade, percebe que o contexto não colabora, que se confrontam com a ausência de respostas, candidaturas que ficam no vazio, serviços que são lançados sem adesão e processos de recrutamento que se arrastam por meses.
Quando expectativa e realidade não se encontram, nasce a frustração, a desmotivação e até a dúvida sobre o nosso valor. É neste ponto que Outubro pode trazer um novo olhar: menos urgência, mais estratégia.
No livro “Seja o CEO da Sua Carreira”, que escrevi em coautoria com a Cristina Pimentão, reforçamos uma ideia fundamental: gerir a carreira não significa avançar sem parar, trata-se de saber quando temos de fazer pausas, esperar e agir com estratégia.
Se Setembro não correspondeu às tuas expectativas, sugiro cinco passos concretos para transformar Outubro num mês de um maior alinhamento com os teus objectivos:
- Redefine o que significa “progresso” para ti. Evoluir nem sempre implica mudar de emprego. Pode ser fortalecer competências, ampliar a rede de contactos, investir no bem-estar ou preparar uma futura transição.
- Faz um diagnóstico honesto do teu ponto de partida. Não basear decisões apenas em cansaço ou entusiasmo. É essencial avaliar energia disponível, recursos concretos e sinais do mercado. Como está a tua energia? Que recursos tens disponíveis? Que sinais o mercado te está a dar? Só assim podes construir uma estratégia que respeite o teu tempo e o do contexto.
- Trabalha em sintonia com o mercado. Forçar mudanças em momentos menos favoráveis pode ser desgastante. Enquanto as oportunidades não surgem, dedica-te a preparar terreno: actualiza o CV, ajusta o LinkedIn, investe em networking e continua a desenvolver competências.
- Estabelece micro-acções com impacto. Grandes objectivos concretizam-se através de passos pequenos e consistentes. O progresso acontece em ciclos curtos – não apenas nos grandes marcos. Pensa em quem contactar esta semana? Que iniciativa colocar em prática? Que decisão tomar hoje?
- Segue teu ritmo e faz menos a comparação externa. É fácil achar que “todos estão a mudar menos nós”, mas a verdade é que cada carreira tem o seu tempo. E respeitar o teu é sinal de maturidade, permitindo-te para fazer diferente, mais devagar, com mais consistência.
Outubro talvez não seja o mês da grande mudança, mas é um convite à estratégia: menos pressa, mais intenção. Ao repensar objectivos e agir de forma consistente, cada profissional fortalece o seu percurso e contribui para resultados mais sustentáveis – pessoais e organizacionais.