Porque chegamos sempre atrasados!

Por Ricardo Florêncio

Apesar de tudo, continua a existir uma cultura de chegarmos atrasados. Há uma ideia criada junto de uma certa geração de que dá estatuto, dá importância. Pode ser até esse o objectivo. Transmitir a ideia de que é alguém muito atarefado, com uma agenda muito cheia e preenchida, muito solicitado. Contudo, a conclusão a que os outros chegam não é bem essa. Mas abordemos o conceito geral. Esta prática de chegarmos atrasados é basicamente uma questão de civismo, de cidadania, pois colide com a agenda e o tempo de todos os outros. Quando chegamos atrasados a um qualquer compromisso, há uma espera, uma quebra, um recomeço. Ao nível das empresas esta situação é gritante e implica de imediato atrasados gerados em cima de atrasos. Aliás, é uma das causas da nossa falta de produtividade. E além de chegarmos atrasados, portamo-nos como se nada fosse, como se fosse natural. Interrompemos a reunião, apresentamos uma razão qualquer, somos capazes de fazer uma graçola, e já está. Muitas vezes não percebemos, ou não queremos perceber, o quanto prejudicámos todos quantos estavam envolvidos nesse mesmo evento, e o incómodo que provocámos, pois, e seguindo a prática também muito comum do politicamente correto, ninguém diz nada. Não entendo as razões deste comportamento. Aliás, disseram-me há muito tempo que “se pensa que vai chegar atrasado, saia mais cedo”. Não será certamente cultural, pois no estrangeiro nunca vi os portugueses chegarem atrasados. Ou é cultura do próprio País? Muitas vezes os conceitos tendem a ser baralhados e confundidos, mas não são a mesma coisa. Seja o que for, tem de combatido e debelado, a bem de todos!

Editorial publicado na revista Human Resources nº 104 de Julho/ Agosto de 2019

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