Preguiça: e se lhe disser que traz vantagens para as empresas?

No Dia da Preguiça, descubra os aspectos positivos e possibilitadores de aprendizagem, mesmo quando estamos em contexto organizacional.

 

Por Maria José Pita, formadora trainer de PNL, Master Practitioner PNL, Coach e formadora.

 

pre·gui·ça
(latim pigritia, -ae, lentidão, vagar, preguiça)

No mundo das organizações, a p#$%&=?a é o conceito cujo nome não podemos pronunciar. Sendo um pressuposto que as competências técnicas estão adquiridas e que podem ser ampliadas e desenvolvidas consoante a actividade e nível de especialização, é consensual que são os traços de personalidade que determinam a adequação de uma pessoa à função.

São muito valorizados o empenho, a proactividade, o espírito de iniciativa, o voluntarismo, o vestir a camisola, o estar alinhado com a organização, a motivação e auto-motivação, o foco nos resultados e/ou no processo ou procedimentos e tarefas, e é natural que assim seja, porque se pretende gerar valor.

Como correria uma entrevista de recrutamento se o candidato referisse que uma das suas qualidades ou um dos seus defeitos é a preguiça? Bem, parece-me óbvio que seria sumariamente eliminado da corrida ao lugar.

De facto, a preguiça, enquanto propensão para não trabalhar e demora ou lentidão em agir, como define o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, não é interessante se o objectivo é entregar valor e contribuir. No entanto, como em tudo, há sempre dois lados da mesma moeda, e há sempre aspectos positivos e possibilitadores de aprendizagem, mesmo quando estamos em contexto organizacional e o tema é a preguiça. Se não, vejamos:

Nesta fase de viragem acelerada, em que a automação e a inteligência artificial tendem a libertar as pessoas de tarefas e funções em que as suas características e qualidades intrínsecas  não são necessárias, é importante que estas aprendam a aceder, activar e gerir os seus recursos internos, é imprescindível aprender a gerir a criatividade, a energia, o foco, a motivação, o que, por oposição, é o mesmo que dizer aprender a aceitar, integrar e gerir a preguiça.

Se considerarmos que só podemos utilizar a energia ou qualquer outro recurso na medida da sua disponibilidade, saber produzir aquilo de que necessitamos é a pedra de toque do sucesso. É fundamental aceitar que existem momentos em que as “baterias” necessitam de ser carregadas e, acima de tudo, que é vital promover uma dinâmica organizacional em que as pessoas sejam felizes, para que possam gerir e adequar os seus recursos às necessidades. Este processo requer a tomada de consciência de que:

– A preguiça ou o comportamento que identificamos como preguiça é a resposta a uma necessidade que pode ser simplesmente de descansar, e às vezes a melhor forma de continuar é parar, aceitando que é necessário cuidar de nós como pessoas, o que é bastante diferente de cuidar de mecanismos automáticos ou robotizados.

– É necessário que a cultura organizacional seja clara e activada até nas moléculas de oxigénio para que seja simples e possível que as pessoas se sintam integradas e que no seu melhor contribuam para criar mais valor.

– O reconhecimento do significado do contributo entregue por cada pessoa ao sistema em que se posiciona é um dínamo que alimenta o processo de criação de recursos e entrega uma sensação de bem-estar que, por sua vez, gera mais e renovados recursos.

– Conhecer o posicionamento na organização, conhecer as regras, saber que se aplicam e como se aplicam de forma justa e transparente a cada pessoa, geram a segurança necessária para que a proatividade surja naturalmente.

-A abertura para acolher diferentes opiniões e posições, para aceitar que a diversidade é riqueza, que de mais do mesmo estão as organizações satisfeitas e que, se é para fazer igual, não são necessárias pessoas.

 

Ousando, podemos falar em apologia da preguiça, não pelo que é, e sim pelo sintoma da necessidade que satisfaz. Saibamos nós ler as nossas pessoas e as nossas equipas e gerar um clima organizacional possibilitador, que o resultado será uma infinidade de renovados recursos que se transformarão em valor e novidade.

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