Qual o “work-motto” dos portugueses?

Leonor Martins
6 de Maio 2019 | 09:20
Qual o “work-motto” dos portugueses?

Tal como em 2018, o salário e benefícios e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional mantêm-se como os factores decisivos para os portugueses na hora de escolher onde trabalhar. Mas as preferências alteram-se de acordo com as gerações, revela o Randstad Employer Brand Research 2019.

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Por Ana Leonor Martins

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Em termos genéricos, verifica-se que não há alteração no pódio referente ao que os trabalhadores procuram numa empresa. Continua a ser o salário e os benefícios (para 67%, mais um ponto percentual do que o ano passado) – em consonância com o que se passa na Europa, ainda que com uma percentagem mais baixa (59%); o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (53%, também mais um ponto percentual em relação a 2018) – sendo curioso notar que para os trabalhadores europeus surge em quarto lugar) –, e a estabilidade profissional, que surge ex-aequo no terceiro lugar com o bom ambiente de trabalho (50%). A progressão na carreira, que o ano passado tinha ganho importância (51% versus 46% em 2017), nos resultados deste ano surge em último, com 49% (aliás, tal como para os europeus em geral, com 37%).

Sendo que actualmente 6% da força de trabalho em Portugal trabalha a tempo parcial, importa perceber se as “preferências” dos colaboradores variam de acordo com o tipo de contrato. Os colaboradores a part-time valorizam menos a estabilidade (45% versus 53% nos colaboradores full-time) e também a progressão na carreira (39% versus 51%).

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Afinando a análise por geração, os resultados alteram-se um pouco. De acordo com Randstad Employer Brand Research 2019, o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal é o que mais interessa à maioria dos millennials (55%) na sua decisão de trabalho, algo que não interessa tanto à geração X (que valoriza, por exemplo, a localização do empregador) nem aos boomers. Para estes últimos, é o ambiente de trabalho que aparece como o critério mais importante na decisão de emprego (49%). E 46% sentem-se atraídos por empresas com uma boa saúde financeira, factor não tão valorizado noutras gerações.

Já a geração Z privilegia sobretudo a possibilidade de progressão de carreira (51%). Isto pode representar um desafio para as organizações, que muitas vezes fazem a integração destes jovens (en- tre os 18 e 24 anos) através de estágios profissionais, nem sempre sendo directos quanto ao que pode ser o seu futuro na empresa. E também procuram um emprego interessante (29%).

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Um dado curioso é que, apesar de as empresas comunicarem cada vez mais os seus processos de transformação digital e como utilizam cada vez mais tecnologia, este não é um critério para nenhuma geração, sendo mesmo o menos valorizado. José Miguel Leonardo, CEO da Randstad Portugal, faz notar que «a tecnologia é uma ferramenta e não um factor de atractividade. Existe para ajudar as pessoas a serem melhores e não terem de fazer tarefas repetitivas, mas não é o factor de motivação na escolha de um empregador. Acreditamos até que será cada vez mais uma commodity.»

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Discrepância entre oferta versus procura

Útil para desenvolver uma estratégia de Employer Branding adequada é compreender as lacunas entre o que os colaboradores querem e o que acreditam que os empregadores oferecem. Entre o que os empregadores em Portugal supostamente oferecem, destacam-se a saúde financeira, a boa reputação e o uso de tecnologias mais avançadas. Seguem-se a estabilidade profissional, a progressão de carreira, o bom ambiente de trabalho, o trabalho interessante, a remuneração e benefícios atractivos, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e “devolver” à sociedade. O ranking não se altera muito em relação ao que os empregadores na Europa supostamente oferecem, mas é o uso de tecnologias que surge em segundo e a boa reputação em terceiro.

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O estudo destaca as três principais discrepâncias entre o que os (potenciais) colaboradores procuram e os empregadores supostamente oferecem: salá- rio e benefícios atractivos, equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, e estabilidade profissional.

Leia o artigo na íntegra e conheça todos os resultados na edição de Abril da Human Resources.

 

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