Quando a empresa se importa: a saúde mental como valor estratégico

Nos últimos anos, temos assistido a uma mudança profunda na forma como o trabalho é percepcionado – não apenas enquanto meio de produção, mas como espaço de realização pessoal, social e emocional. Neste novo paradigma, o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores emergem como pilares estruturantes da sustentabilidade organizacional.

 

Por Sofia Croft, head of People no ComparaJá 

 

No contacto diário com as equipas e líderes, tenho acompanhado de perto os impactos do stress, da pressão e do desequilíbrio entre vida profissional e pessoal. Estas dinâmicas, muitas vezes silenciosas e normalizadas, têm um impacto direto na motivação, na produtividade e na capacidade de reter talento. Mais do que uma questão de empatia ou bem-intencionada preocupação, a saúde mental deve ser assumida como uma prioridade estratégica nas organizações.

Um colaborador mentalmente saudável é mais criativo, resiliente e comprometido com os objectivos da organização. Pelo contrário, ambientes tóxicos e culturas empresariais indiferentes ao bem-estar humano conduzem inevitavelmente ao absenteísmo, à rotatividade e, sobretudo, a um custo humano inaceitável.

Investir em saúde mental não é um ato de benevolência, é uma decisão inteligente e orientada para o futuro. Medidas como programas de apoio psicológico, políticas de flexibilidade laboral, iniciativas de desenvolvimento pessoal e uma cultura de feedback aberto e escuta ativa são exemplos concretos de como podemos criar ambientes de trabalho mais saudáveis, inclusivos e sustentáveis.

O verdadeiro desafio está em integrar estas práticas na identidade da organização, deixando de tratá-las como benefícios acessíveis apenas em momentos de crise. Promover o bem-estar deve fazer parte do ADN corporativo, com o apoio visível da liderança e o envolvimento contínuo de todas as áreas.

Acredito que o futuro do trabalho será desenhado por empresas que colocam as pessoas no centro das decisões. Organizações que reconhecem o valor estratégico da saúde mental não só melhoram os seus indicadores de desempenho, como se afirmam como marcas empregadoras éticas, atractivas e mais bem preparadas para desafios. Em última análise, investir no bem-estar de quem constrói a empresa é garantir a sustentabilidade e o sucesso do próprio negócio.

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