Randstad: «As empresas procuram acesso à experiência, capacidade de resposta e competitividade de custos»

O Outsourcing deve ser encarado como uma ferramenta para alavancar talentos, melhorar a produtividade e reduzir os ciclos de trabalho, permitindo ganhos de eficiência. É isso a que a Randstad se propõe: «Sermos relevantes, criando valor para as organizações.»

 

Há um ano assistimos ao início de uma pandemia que veio mudar a realidade de praticamente todos os sectores. O Outsourcing não foi excepção, mas enquanto ferramenta das empresas, as alterações e impacto sofrido dependem das indústrias em que os clientes a quem são prestados os serviços estão inseridos.

Transversalmente, assistiu-se a uma massificação do teletrabalho, com todos os desafios que lhe são inerentes, naquilo que foi um colossal teste ao modelo, e pode dizer-se que o sector passou com distinção. Quem o assegura é Pedro Empis, executive business director | Outsourcing da Randstad Portugal. «Nos negócios em canal presencial, os desafios passaram por uma ainda maior importância da capacidade de reagir a alterações, seja de procura, seja de substituição massiva de pessoas num determinado período, devido a infecções e isolamentos profiláticos, bem como no rápido reskilling de pessoas cuja função se tornou impossível de executar, mas que tinham capacidade e vontade de passar a desempenhar outras funções conexas.»

O responsável identifica duas realidades distintas: «Por um lado, a necessidade de flexibilidade levou a maior procura, e, por outro, durante alguns meses, assistiu-se a uma recalendarização de projectos ou adiamento de processos de consulta, para que as empresas se pudessem focar na reacção aos efeitos da pandemia, o que nalguns casos foi uma alteração do modelo de negócio.»

A verdade é que desde há uns anos que se assistia ao contínuo crescimento do sector de Outsourcing, uma vez que «as empresas operam em mercados cada vez mais globais e, logo, mais competitivos e, por isso, é já normal que assentem os seus modelos operacionais numa base de parcerias com especialistas». Até porque «não tem sentido querer ser especialista em todas as vertentes, quando há empresas que se dedicam exclusivamente a algumas actividades, em que conseguem trazer experiência, qualidade e capacidade de execução que demoraria a ser criada internamente», faz notar Pedro Empis. Assim «o Outsourcing tem vindo a ser uma ferramenta de gestão cada vez mais utilizada no mercado».

 

Criar valor para as organizações
Relativamente a 2021, o executive business director constata que «os intervenientes neste sector não apresentam ter um olhar distinto do que tinham antes, mas podem ter, eventualmente, um sentido de urgência maior, de modo a poderem colocar foco na estratégia e na sua expertise de negócio, deixando as operações serem executadas em regime de Outsourcing, em que existe um controlo muito grande e praticamente online dos níveis de execução». Não obstante, «os motivos que levam uma empresa a recorrer ou Outsourcing não são diferentes e os elementos base não mudaram. As empresas procuram acesso à experiência, capacidade de resposta, tecnologia e integração desta nos processos e competitividade de custos, pois o esforço financeiro passa a ser mais transparente para a organização.»

Pedro Empis reitera que a pandemia impactou os negócios de forma distinta. «Tivemos clientes que assistiram a uma redução abrupta da procura e outros que tiveram o fenómeno oposto. Isto significa que foi possível, num período de tempo muito reduzido, transferir um conjunto de recursos entre operações, garantindo que no processo todos ganhassem, e de alguma forma amenizassem, os efeitos da crise. As empresas que tiveram redução de actividade conseguiram reduzir os seus custos mais rapidamente e as que tiveram mais oferta observaram uma capacidade de resposta muito mais rápida do que se seguissem um processo tradicional de reforço das equipas e, talvez mais importante do ponto de vista económico e social, as pessoas mantiveram os seus postos de trabalho.»

Para 2021, os modelos de parceria utilizados pela Randstad continuam a garantir o foco no aumento da produtividade, sempre equilibrado com os níveis de qualidade, porque «a melhoria contínua está na base do modelo de outsourcing em si», afirma o responsável. «Uma empresa que externaliza um processo toma essa decisão na convicção de que o está a entregar a uma entidade especialista na execução desse tipo de processos, normalmente com um track-record comprovado e com recursos muito experientes apetrechados com a melhor tecnologia que são a garantia de que as operações serão sempre mais produtivas neste modelo.»

O especialista defende que as empresas e os seus líderes devem encarar o Outsourcing como uma ferramenta importante para alavancar talentos, melhorar a produtividade e reduzir os ciclos de trabalho, uma vez que é, efectivamente, uma ferramenta que permite garantir que os ganhos de eficiência estão na ordem do dia, pois os modelos de negócio em que assenta baseiam-se nessa premissa. «A melhoria contínua é o nome do jogo, é um ciclo infinito e constante de transformação e procura fazer melhor e diferente todos os dias. Obedece a processos e rotinas bem definidas, que combinam disciplina de execução, com uma procura incessante por novas soluções e formas de fazer mais eficientes.»

Olhando para a realidade actual, verifica-se que os modelos de Outsourcing são cada vez mais completos e não apenas executantes de processos. Os dados gerados pelas operações geridas pela Randstad permitem análises muito completas dos fenómenos de negócio, o que lhe permite assumir um papel consultivo e transformador junto dos seus clientes. «O nosso objectivo é sermos relevantes, criando valor para as organizações através das alterações que podemos co-criar em conjunto com os clientes», sublinha Pedro Empis. «Com base na nossa experiência na execução e recorrendo à diversidade de sectores em que trabalhamos, podemos trazer o melhor de cada realidade, o que é interessante porque é algo que se complementa e reforça mutuamente.»

 

Crescer acima do mercado
Analisando os últimos 12 meses, o executive business director destaca: «Observamos um crescimento em alguns sectores, reforçámos o posicionamento nearshore e, felizmente, conseguimos uma rápida reacção na formação nos casos de redução para assegurar o reforço nas actividades que tiveram crescimento abrupto. Pelo meio, alguns desafios internos, como «a migração repentina de oito mil pessoas para teletrabalho, com toda a logística e adaptação do modelo de suporte, a conversão de mais de mil pessoas de canal presencial para canal remoto, com formação e atribuição de equipamentos num curto espaço de tempo, e a rápida adaptação da tecnologia de modo a garantir a eficiência na nova realidade de trabalho».

No actual contexto, «assegurar a sanidade mental das nossas pessoas foi e continua a ser um dos principais desígnios da Randstad», garante o responsável, partilhando que «a empresa ministrou milhares de horas de formação especializada para ajudar os líderes a gerir os efeitos da pandemia nas suas equipas».

Para os próximos 12 meses, «o objectivo da Randstad passa por crescer acima do mercado, com recurso à consolidação das operações domésticas e crescimento em sectores específicos e também na apresentação de novos serviços», que, acreditam, «serão inovadores e sustentarão o atingimento dos objectivos definidos». Assim, Pedro Empis não tem dúvidas de que «o Outsourcing faz cada vez mais parte dos planos das empresas, pelo que, seguramente, é uma área que continuará a crescer e a aumentar o scope de serviços em que é utilizado».

 

Este artigo faz parte do Especial “Outsourcing”, publicado na edição de Abril (n.º 124) da Human Resources, nas bancas.

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