
Repitam comigo: personalizar, simplificar, integrar
Por Gonçalo Julião, Sales & Merchants manager, Pluxee Portugal
2026 está a marcar uma mudança na forma como as empresas encaram os benefícios extra-salariais. Num mercado cada vez mais competitivo, estes benefícios deixam de ser um complemento à remuneração para assumirem um papel estratégico na atracção, no envolvimento e, sobretudo, na retenção das equipas.
Embora o salário continue a desempenhar um papel relevante na atracção de talento, o mesmo não se verifica quando falamos de retenção. O Workmonitor 2026, divulgado recentemente pela Randstad, evidencia uma mudança clara: em Portugal, 51% dos trabalhadores indicam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional como o factor mais importante para permanecerem na função actual, mais do dobro dos 23% que apontam a remuneração como principal critério.
É neste contexto que os benefícios extra-salariais assumem um novo protagonismo e evoluem para responder a expectativas mais diversas, exigentes e individualizadas. Algumas tendências destacam-se como determinantes no sector:
- Benefícios centrados no colaborador
Os colaboradores procuram benefícios que façam sentido para a sua realidade pessoal. A flexibilidade e possibilidade de escolha torna-se essencial, reflectindo diferentes fases de vida, prioridades e formas de estar. Enquanto uns priorizam ter seguro de saúde, outros preferem formação em idiomas ou investir em PPR (Planos Poupança Reforma), pelo que a flexibilidade deixa de ser um elemento diferenciador para passar a ser um requisito base.
- Menos carga administrativa para as equipas de RH
A crescente complexidade administrativa desafia os departamentos de Recursos Humanos. Em resposta, ganha relevância a adopção de processos automatizados, sistemas integrados e ferramentas digitais que permitam reduzir a carga operacional e reforçar o papel estratégico do RH.
- Bem-estar integral como prioridade
O conceito de bem-estar torna-se mais abrangente, integrando saúde física, mental, emocional e financeira. Benefícios ligados à literacia financeira, apoio psicológico e prevenção do stress deixam de ser iniciativas pontuais e passam a integrar o pacote base das organizações.
- Desenvolvimento contínuo como benefício valorizado
Upskilling, reskilling e desenvolvimento de competências digitais deixam de ser apenas uma necessidade empresarial e passam a ser encarados como um benefício directo para o colaborador, reforçando o compromisso e a ligação à organização.
- Simplicidade e integração na experiência do colaborador
A experiência do colaborador ganha relevância. A dispersão de benefícios por diferentes plataformas reduz a adesão e gera frustração. A tendência aponta para modelos centralizados, intuitivos e fáceis de utilizar, promovendo maior autonomia e uma utilização mais eficaz.
O caminho dos benefícios extra-salariais é claro: mais personalização, maior simplicidade e uma visão integrada do bem-estar e do desenvolvimento. Em 2026, ganha quem simplifica e personaliza os benefícios.