Reserva de profissionais inactivos disponíveis para trabalhar reduziu (agravando a escassez de talento)

A Randstad Portugal divulgou a sua análise aos resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao terceiro trimestre de 2025, que confirmam a continuidade de um ciclo de crescimento do mercado de trabalho nacional.

 

Um dos sinais mais relevantes deste trimestre é a redução da reserva de inactivos com potencial para entrar rapidamente no mercado de trabalho. Este grupo, composto por pessoas que não estão empregadas mas têm disponibilidade ou condições para integrar o mercado num curto prazo, é hoje menor do que tem sido historicamente, e tem vindo a reduzir-se ao longo da última década.

A diminuição deste grupo significa que, ainda que o mercado continue a gerar emprego, a margem de recrutamento é cada vez mais estreita. Isto agrava a escassez de talento, limita a capacidade de expansão das empresas e torna urgente reforçar políticas e estratégias que valorizem trabalhadores seniores, promovam reconversão profissional em grande escala e incentivem a atracção de talento internacional.

A análise mostra também que o número de pessoas empregadas ultrapassou os 5,33 milhões de profissionais, estabelecendo um novo máximo histórico, enquanto a taxa de desemprego recuou para 5,8%, o valor mais baixo dos últimos três anos. Contudo, este cenário de dinamismo é acompanhado por um factor estrutural que começa a assumir um peso significativo: a reserva de pessoas fora do mercado com potencial para trabalhar está a reduzir-se, agravando a pressão sobre empresas que procuram recrutar.

O emprego cresceu 83,8 mil pessoas face ao trimestre anterior e 191,2 mil em termos homólogos, com aumentos observados em todos os grupos etários. Destaca-se o crescimento entre os jovens dos 16 aos 24 anos, que registaram um acréscimo de 22,7 mil profissionais, o que corresponde a uma variação trimestral de 7,5%, e entre os trabalhadores dos 55 aos 64 anos, com mais 16,9 mil profissionais. Estes dados sugerem, por um lado, uma maior capacidade de absorção dos jovens pelo mercado de trabalho e, por outro, um prolongamento da vida activa e maior permanência dos seniores em funções laborais.

Do ponto de vista setorial, o sector dos serviços foi o principal impulsionador do crescimento, com um aumento de 83,7 mil profissionais. Dentro deste sector, sobressaem a hotelaria e restauração, que registaram um crescimento de 7,6% e as actividades de saúde humana, onde o número de profissionais aumentou 4,1%. Em sentido oposto, a educação registou uma diminuição de 17,7 mil profissionais.

Já o sector da indústria, embora estável no total agregado, apresentou uma diminuição relevante nas indústrias transformadoras, reflectindo factores como a desaceleração de encomendas e a automatização crescente. A agricultura manteve estabilidade estrutural, com um aumento residual.

No que diz respeito às formas de contratação, verificou-se um reforço dos contratos sem termo (+76,2 mil), enquanto os contratos com termo voltaram a diminuir (-20,7 mil), contribuindo para uma redução da taxa de trabalho temporário para 15,1%.

A taxa de desemprego desceu para 5,8%, acompanhada por uma diminuição de 2,9 mil pessoas desempregadas face ao trimestre anterior e de 8,1 mil face ao período homólogo. No entanto, esta evolução não se verificou de forma homogénea entre homens e mulheres. Entre as mulheres, a taxa de desemprego registou uma redução, enquanto entre os homens se verificou um ligeiro aumento.

Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal, sublinha que «os dados mostram um mercado de trabalho forte, com mais emprego e maior participação da população activa. No entanto, estamos a entrar numa fase em que o crescimento já não depende apenas da procura, mas da capacidade de encontrar e desenvolver talento. A reserva de pessoas que poderiam entrar no mercado está a diminuir, e isso coloca pressão acrescida sobre empresas e decisores. Para sustentar o crescimento económico, é essencial requalificar, reter e atrair talento de forma estratégica.»

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