
Rita Oliveira Pelica, ONYOU: Bem-vindo, September Jazz!
Do September Blues ao September Jazz, a diferença está na forma como escolhemos regressar ao trabalho: presos à rotina ou abertos à improvisação. Voltar não tem de soar a melancolia, apesar de recordarmos nostalgicamente as férias. Pode ser antes similar a um concerto de “ano novo”, com uma sonoridade cheia de improviso e de energia criativa, no qual cada um de nós pode fazer o seu solo.
Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs
O regresso das férias costuma soar em tom menor, com o chamado September Blues: melodias arrastadas, acordes de nostalgia e a dificuldade em voltar ao compasso acelerado do quotidiano. É natural que a transição tenha este ritmo mais lento. Mas e se mudarmos de pauta? Se, em vez de repetirmos a mesma linha melódica, nos decidirmos por outras músicas? Daquelas mais aprazíveis em finais de tarde, em modo cool jazz fest, num jardim perto de nós. O oposto deste modo blues pode ser o jazz: “verde”, vivo, espontâneo e criativo.
É este ritmado September Jazz que pode marcar e facilitar o regresso ao trabalho, transformando rotinas em palcos para novas interpretações. Sei do que falo, depois de umas ricas férias sonoras e de um “Verão quente” em concertos e festivais! Quero continuar nesta vibração.
O intraempreendedor é, por natureza, jazzístico. Não segue partituras rígidas, prefere improvisar sobre uma base, explorar variações e dar novos arranjos a temas conhecidos. Ouve o contexto, arrisca notas diferentes e cria harmonia onde antes havia monotonia. Depois de uma pausa, regressamos com ouvidos e olhos mais atentos e mãos mais soltas: é o momento ideal para fazer jam sessions de ideias nas organizações. Nada melhor do que se trabalhar a performance!
A este propósito, inspirei-me na “letra e música” do modelo dos 4 R da Performance, de José Soares, apresentado no seu livro “Reload”, e que serviram de acordes-base para este momento de improvisação escrita. Este modelo permite guiar-nos nos nossos próprios solos, ou até em colectivo, numa progressão harmónica que nos dá uma estrutura sem prender a criatividade e a flexibilidade.
Recuperar (Recover) é como começar devagar, afinando instrumentos antes de tocar. Não se entra logo em ritmo frenético: respeita-se o tempo de adaptação, porque é no silêncio e na pausa que nasce a clareza das próximas notas. É saber trabalhar com intensidade, mas também saber quando parar.
Recarregar (Refuel) é acrescentar novos sons à escala. São os livros lidos, as conversas partilhadas, as experiências das férias que alimentam a paleta sonora do intraempreendedor. Quanto mais rica a inspiração, mais surpreendente será a improvisação e, consequentemente, os resultados.
Repensar (Rethink) é onde o jazz ganha vida. Questiona-se a melodia habitual, arriscam-se variações. O intraempreendedor olha para processos estabelecidos e, em vez de os tocar sempre da mesma forma, introduz novas harmonias que transformam a “música” da organização.
Reenergizar (Reenergize) representa o clímax de um concerto. A energia de quem regressa com propósito é como um solo que contagia toda a banda. A jam deixa de ser individual para se tornar colectiva: as equipas entram no ritmo, acrescentam camadas e criam algo maior do que a soma das partes.
Setembro não precisa de soar a melancolia. Pode ser o momento em que a orquestra da organização troca o blues pelo jazz, fazendo do regresso ao trabalho uma partitura em aberto, pronta para ser reinventada. No palco das empresas, o intraempreendedorismo é essa arte de improvisar com sentido, de transformar o regresso em criação e de fazer do quotidiano um concerto sempre novo e mais jazzy.
Estão prontos para regressar? É tempo de fazer reload.
Este artigo foi publicado na edição de Agosto (nº. 176) da Human Resources
Pode comprar nas bancas. Ou, caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.