Rita Xavier, Harpoon. Presença genuína: A nova autoridade na gestão

Já ouviu falar em embodiment? Pode ser o caminho para lideranças mais eficazes e humanas. Para preparar a organização para o futuro.

 

Por Rita Xavier, head of Talent & Organizational Development na Harpoon

 

Imagine a seguinte cena: uma reunião importante para apresentar resultados críticos à equipa. O ambiente está tenso e as chefias, visivelmente frustradas, questionam os dados. O líder, que deveria guiar a discussão, está de cabeça baixa, a responder a mensagens no telemóvel. O conflito escala. Quando lhe pedem a sua opinião, ele confessa que não a pode dar, pois não estava a prestar atenção. Este cenário, infelizmente, é comum. Acontece quando a liderança falha na comunicação, não por falta de conhecimento técnico, mas porque a sua presença corporal não está alinhada com as suas palavras.

Mas o futuro da liderança é muito mais do que isso. É sobre quem somos, não apenas o que sabemos. É sobre a nossa capacidade de nos conectarmos connosco e com os outros, de forma autêntica. O nosso corpo (como respiramos, nos movemos e estamos presentes) é a nossa ferramenta mais poderosa.

Isso é o embodiment. É trazer a consciência para o seu corpo para alinhar pensamento, emoção e presença. O corpo não é só o recipiente da mente, é uma fonte vital de informação e uma ferramenta poderosa na liderança. É neste espaço silencioso que o embodiment ganha relevância para quem deseja criar uma cultura de confiança e colaboração.

Como diz Mark Walsh, «não podemos mudar verdadeiramente aquilo de que não temos consciência». Organizações que abraçam essa consciência relatam maior engagement e menos burnout.

Imagine agora o mesmo cenário, mas com uma abordagem diferente. O líder entra na sala, faz uma breve pausa para sentir a sua respiração e a sua postura. Nota a tensão no ar, mas a sua presença é calma e centrada. Escuta com atenção, sem interromper ou reagir defensivamente. E capta os sinais do corpo dos outros – a respiração mais curta, a rigidez.

A sua atitude não-verbal de escuta faz com que todos se sintam respeitados e valorizados.  A sua autoridade não vem do título, mas da presença genuína, que transmite calma e confiança. O líder consegue guiar a conversa, reconhecendo as emoções e redireccionando a energia do conflito para um espaço de colaboração. A equipa sai da reunião com um sentimento de alinhamento e com um plano de acção, porque a sua voz foi ouvida e a liderança esteve plenamente presente.

Este contraste mostra a dicotomia na prática: o líder que vive o embodiment transmite confiança pelas palavras, pela postura e pela energia, e escuta com atenção para que o outro se sinta respeitado e valorizado.

O embodiment coaching tem vindo a conquistar espaço em Portugal, com várias organizações a relatarem melhorias no engagement, redução do stress e fortalecimento do trabalho em equipa. Este movimento reflecte uma tendência mundial que reconhece o valor da integração entre corpo e mente para lideranças mais eficazes e humanas.

Líderes e equipas que praticam consciência corporal beneficiam de:

Liderança autêntica: autoridade que nasce da presença genuína, não do título;

Equipas resilientes: pequenas práticas, como a respiração consciente, reduzem o stress colectivo;

Comunicação que transforma: atenção aos sinais do corpo ajuda a resolver conflitos na raiz;

Criatividade: corpo relaxado permite florescer novas ideias.

Integrar o embodiment é preparar a sua organização para o futuro, juntando presença humana com estratégia. Afinal, a gestão é sobretudo sobre escuta, respeito e liderança em toda a sua plenitude. Para começar, experimente estas pequenas práticas:

Na sua próxima reunião, faça uma pausa breve para notar a sua respiração e postura; sentir o contacto dos pés no chão ajuda a centrar a presença.

Pergunte-se: “Como está o meu corpo agora? Tenso, relaxado, impaciente?”.

Em reuniões virtuais, desligue a câmara por um minuto para se concentrar na respiração.

Experimente estas práticas nas próximas semanas e observe as mudanças.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Outubro (nº. 178) da Human Resources, nas bancas.

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