Se quer manter os seus colaboradores, não desvalorize o processo de acolhimento e integração

O processo de acolhimento e integração é um dos pilares da gestão de Recursos Humanos, mas por ser considerado algo implícito e natural tende a ser desvalorizado e pouco planeado. Todavia, é durante esta fase que o novo colaborador estabelece relações que promovem a sua vinculação à organização e recolhe informações sobre as práticas e os modelos de ação que irão promover o ajustamento entre ambas as partes.

 

Por Rosa Rodrigues, investigadora e docente do ISG – Instituto Superior de Gestão

 

O processo de acolhimento deve ser cuidadosamente preparado porque apesar de não ser preciso “bajular” o recém-contratado é importante não esquecer que a pessoa acabou de chegar e não conhece “os cantos à casa”, pelo que não deve ser “abandonada” durante longos períodos de tempo. Como tal, deve ser agendado um horário para a sua receção e assegurar que quem a vai receber tem conhecimento da sua chegada e do encaminhamento que deve ser feito.

A forma como a organização recebe um novo colaborador determina a perceção que o mesmo terá sobre o ambiente de trabalho, porque a ideia de que a primeira impressão é sempre a mais marcante não é exagerada. Além do mais, ser bem recebido constitui um fator motivacional e fomenta a vontade de fazer parte da equipa.

Os primeiros dias são determinantes para definir o ajustamento da pessoa à função, pois uma em cada 20 pessoas abandonam o seu local de trabalho, ao fim de um mês, por não existir um programa de acolhimento adequado. A saída de um colaborador custa à organização cerca de um terço do seu salário anual, no caso de ser necessário contratar um substituto, motivo pelo qual o processo de acolhimento e integração dos novos membros não deve ser menosprezado.

Para que o processo seja bem-sucedido todos os membros da organização, principalmente os que vão trabalhar diretamente com o recém-contratado, devem saber qual será o seu papel para não dar azo a mal-entendidos. Para os colaboradores que já trabalham na organização é intimidatório ver entrar alguém sem saber quem é e o que vai fazer, podendo mesmo levá-los a pensar que o seu posto de trabalho pode estar ameaçado.

A correcta integração contribui para criar laços profissionais e pessoais que contribuem para o desenvolvimento de uma vinculação emocional entre a pessoa e a organização, que é reforçada pelas estratégias de socialização. Este conjunto de procedimentos formais e/ou informais facilita a aprendizagem das normas, valores, atitudes e comportamentos que o recém-admitido necessita de conhecer para se sentir membro da organização. O processo de socialização ajuda a reduzir a incerteza, a ansiedade e a ambiguidade vivenciada nos primeiros dias de trabalho.

A experiência inicial é importante para garantir que as condições de acolhimento do novo colaborador potenciam a sua efetiva integração e o tornam um membro ativo que constitui uma mais-valia para a organização. O período de acolhimento contribui de forma significativa para definir se o desempenho do recém-chegado terá retorno sobre o investimento efetuado durante o processo de recrutamento e seleção.

Deste modo, é imperativo que se deixe de encarar o processo de acolhimento e integração como o “parente pobre” da gestão de recursos humanos, porque é através do mesmo que a vinculação organizacional se desenvolve. Assim sendo, é fundamental ter consciência que o sentimento de pertença é um dos fatores que mais contribui para promover a satisfação no trabalho e reter os melhores profissionais/talentos, porque “da conduta de cada um depende o destino de todos” (Alexandre, o Grande).

 

 

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