Sentido da vida e Propósito: dois pilares da Transformação Organizacional

Por António Saraiva, Business Development manager_ISQ Academy

 

Entender o sentido da vida, talvez seja das questões mais remotas e universais da humanidade. Filósofos, teólogos, cientistas e líderes têm refletido sobre o que dá significado à existência humana. Hoje em dia, estamos para além de uma reflexão individual e as próprias organizações começam a efetuar esta reflexão, movidas certamente pelo que é designado pelo seu propósito, mas muito porque as pessoas são o seu principal ativo, por mais impacto que o digital traga consigo.

Desde o pensamento socrático que o sentido da vida tem sido associado à realização pessoal, a um contributo para o bem comum e a algo maior que o próprio ego. Viktor Frankl (1905-1997), neuropsiquiatra austríaco, argumentou que o ser humano orienta-se por uma “vontade de sentido”, e que esse propósito é essencial para a saúde mental e emocional.

Nesta linha, no mundo corporativo, aumenta a perceção de que as organizações que vão para além do lucro, são mais resilientes, inovadoras e, de alguma forma, mais valorizadas. E tentam expressar claramente na sua Missão e Valores os drivers que orientam as suas decisões estratégicas e os desígnios de inspiração para os seus colaboradores. Daí que, uma Missão clara e inspiradora, uma Cultura organizacional alinhada com Valores humanos, uma Liderança consciente e a preocupação por um impacto social e ambiental positivo, são consideradas como organizações com um Propósito claro e, em função disso, aumentam o reconhecimento da sua Marca.

É, pois, num alinhamento claro deste propósito organizacional, com o propósito individual, que se registam níveis de compromisso elevados, maior criatividade e um bem-estar mais consistente. Alguns estudos revelam mesmo que é aqui que reside maior sucesso na retenção de talento e na construção de equipas de elevada performance. Apesar deste caminho que se começa a trilhar, ainda existem organizações que se pautam por modelos mecanicistas, em que o foco exclusivo são metas e resultados. É necessária coragem, escuta ativa e a vontade de uma transformação cultural para se transitar para uma cultura orientada por propósito. Quando se perceber que aqui residem novas e melhores oportunidades, que os Valores são determinantes, que o trabalho é mais que simples execução, talvez se consigam outros desígnios.

É que o sentido da vida e o propósito organizacional não são conceitos abstratos. São conceitos e práticas concretas que moldam comportamentos e potenciam decisões e, aí sim, resultados. Num mundo em constante transformação e em ambientes de incerteza, as organizações que apoiam as pessoas a encontrar o sentido para o que fazem, não estão num registo de sobrevivência, mas sim na garantia de desenvolvimento. É importante, no fundo, que ajudem as pessoas a responder a algumas questões: o que me motiva profundamente? Como o meu trabalho contribui para algo maior? Os Valores da organização refletem os meus Valores? Questões simples, mas fundamentais para se atingirem padrões elevados de compromisso.

Exemplos práticos deste compromisso, resultam muitas vezes em padrões elevados ao nível da sustentabilidade, da ética e do bem-estar. Organizações com sentido da vida e propósito claro não apenas prosperam financeiramente, mas geram impacto positivo mais duradouro. São organizações onde as pessoas encontram sentido no que fazem — e isso transforma tudo!

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