Sofia Castro, Sonae MC: O papel cada vez mais importante do líder

Os líderes sempre foram determinantes na cultura das empresas, pois têm um impacto decisivo no desenvolvimento das pessoas e na sua capacidade de gerar resultados.

 

Por Sofia Castro, head of People Strategy da Sonae MC

 

O que determina o sucesso de um líder é a sua capacidade de mobilizar a equipa, de incentivar as pessoas a dar o melhor de si com foco nos objectivos da empresa, mas tentando permanentemente reinventar-se, para superar conquistas passadas e crescer, crescer enquanto pessoa e profissional.

Há muito que falamos da rápida transformação do mundo e da forma como esta impacta as empresas, quer pelas exigências de negócio, quer pelas novas expectativas das pessoas que nelas trabalham. Os líderes têm de ser mais ágeis, capazes de se adaptar a novas realidades, mas também mais próximos para perceber as aspirações e ansiedades das pessoas com quem trabalham, de forma a criarem um ambiente de desafio, mas que garanta a segurança psicológica necessária para inovar e criar valor de forma disruptiva.

Reconhecer a importância da diversidade e criar o enquadramento necessário para que cada um possa expressar a sua individualidade, enquanto contribui de forma colaborativa para o todo, é crucial para fazer face aos desafios, que são, eles próprios, diversos e, como tal, só terão a melhor resposta se os líderes forem capazes de tirar partido da complementaridade de visões sobre o mundo que devemos construir nas equipas. Para se sentirem bem, as pessoas têm de se sentir vistas, têm de sentir que o seu trabalho é reconhecido, mas também saber que a empresa conhece as suas aspirações profissionais e pessoais e que o seu líder é um agente activo na persecução das mesmas.

Os líderes têm de ser próximos para compreender o que motiva cada elemento da sua equipa a querer ir mais longe e, por outro lado, de que forma o seu enquadramento pessoal pode, por vezes, condicionar esta ambição e criar barreiras ao sucesso profissional. Só assim, poderão actuar como facilitadores e adequar as suas interacções às necessidades de cada um e em cada momento. Para criar esta proximidade, o líder terá também de dar mais de si, gerando a confiança necessária para que os outros façam o mesmo. Esta confiança constrói-se, também, através da autonomia. Todos temos valor a aportar, mas só o conseguimos fazer na plenitude se nos derem espaço. Quando isso acontece, especialmente quando paralelamente sentimos que, quando precisamos, estamos acompanhados, voamos mais longe.

Se tudo isto já fazia parte da vida das empresas antes da pandemia, hoje sentimos mais do que nunca necessidade destes “novos” líderes. A incerteza agudizou-se, e fomos surpreendidos por uma capacidade de nos reinventarmos que não conhecíamos. Por outro lado, a distância física, a que tão estoicamente nos adaptámos, trouxe desafios maiores do que a gestão do dia-a-dia de trabalho faz parecer. A construção de uma cultura forte é mais difícil de conseguir e os líderes têm aqui uma responsabilidade maior do que no passado, uma vez que são o principal elemento de ligação à empresa. A distância física obriga a uma maior proximidade emocional. A tecnologia foi um importante facilitador do processo que as empresas têm vivido, mas nunca conseguirá mimetizar por completo a presença física.

No futuro poderemos, certamente, voltar a usufruir de um contacto presencial mais frequente, tão importante para a construção de relações e com um impacto significativo na nossa saúde mental. Mas não vamos voltar ao cenário de pré pandemia, e o papel dos líderes nas organizações terá de ser reinventado e reforçado.

 

Este artigo foi publicado na edição de Julho (nº.127) da Human Resources, nas bancas.

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