Mudar o paradigma da gestão de pessoas na saúde é possível

Human Resources
3 de Setembro 2025 | 10:40
Mudar o paradigma da gestão de pessoas na saúde é possível

E se um grupo de médicos se juntasse para melhorar, inovar e revolucionar a gestão dos cuidados de saúde em Portugal? É essa a premissa da nobox. E fá-lo através de formações que, fugindo aos programas tradicionais, desenvolvem não só competências clínicas, mas também comportamentais e organizacionais, recorrendo à gamificação.

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Por Tânia Reis

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Actualmente, a prestação de cuidados de saúde com qualidade exige cada vez mais uma maior articulação entre os vários intervenientes do sector, nomeadamente as várias profissões e as diferentes organizações de saúde, bem como entre todos os parceiros, associações e empresas do ecossistema de saúde», começa por explicar Sofia Carmezim Pereira, médica de Saúde Pública, directora da Unidade de Negócio – Health Games e consultora de inovação da nobox. «Esta complexidade obriga à implementação e coordenação de sistemas de gestão clínica eficazes, que consigam envolver as equipas clínicas e de gestão, para conseguirem, em conjunto, perceber como moldar e adaptar o sistema para melhor responder às necessidades dos doentes e cidadãos.» Infelizmente, a seu ver, este é «um dos principais problemas do sector neste momento», isto é, «a sua rigidez e lentidão em conseguir reinventar-se e adaptar-se às novas realidades, com o devido envolvimento dos profissionais de saúde e dos doentes».

Foi neste cenário que nasceu a nobox, um projecto fundado por médicos que tem como objectivo capacitar os profissionais de Saúde. «A nobox surgiu por sentirmos estas dificuldades de gestão e articulação no dia-a-dia como médicos», recorda a consultora de inovação. «Não é suposto o sistema depender da boa vontade e espírito de sacrifício dos profissionais, em quem recai a responsabilidade de dar resposta aos doentes, independentemente das falhas e ineficiências do sistema.»

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Na nobox, os modelos de gestão de pessoas e de inovação visam especificamente o sector de Saúde, procurando «ser o parceiro das equipas e organizações para imaginar e construir novos cuidados de saúde».

 

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Lacunas na formação… e nas competências
Entre as principais lacunas identificadas na formação dos profissionais, Sofia Carmezim Pereira enumera competências comportamentais como «liderança, gestão de conflitos e desenvolvimento de pessoas», ou de gestão, como «estratégia e inovação aplicada a serviços de saúde», que, «infelizmente, não fazem parte do currículo da maior parte das profissões de saúde». Mas são fundamentais para que estes possam «contribuir para repensar e mudar a forma como trabalham em conjunto e como organizam a prestação de cuidados».

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Neste momento, as formações da nobox têm como objectivo desenvolver três pilares principais de competências: clínicas, comportamentais e organizacionais. Ainda que reconheça que Portugal tem «os profissionais de saúde mais bem preparados para lidar com a vertente clínica da saúde», formados «nas excelentes universidades», é sabido que «a formação clínica deve acompanhar a carreira destes profissionais, tendo em conta a velocidade a que a ciência médica se tem desenvolvido nas últimas décadas », por isso, a actualização de conteúdos clínicos é essencial para oferecer aos utentes os melhores cuidados de saúde possíveis.

Já a formação de competências comportamentais e organizacionais acaba por ser uma lacuna em qualquer momento de formação dos profissionais de saúde, o que tem impacto no desenvolvimento das equipas e na qualidade dos serviços prestados, afirma a responsável.

Assim, na nobox, cada formação pode focar mais especificamente algum destes pilares, dependendo das necessidades das equipas, mas tentam que estas sejam trabalhadas em conjunto, como acontece no dia-a-dia dos profissionais de saúde. Sem esquecer que essas necessidades têm vindo a mudar no últimos anos. «Numa fase inicial, o foco estava principalmente no desenvolvimento de competências comportamentais, tais como trabalho em equipa, gestão de conflitos, comunicação eficiente, entre outros», mas, ao longo do tempo, os serviços foram sendo adaptados a «formações com componentes clínicas e de inovação organizacional ». Aliás, neste momento, essa é uma das áreas principais da actuação da nobox, «nomeadamente através de projectos de consultoria com equipas para implementar unidades multidisciplinares, novos percursos clínicos integrados, entre outros», partilha.

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Para Sofia Carmezim Pereira, a «actualização contínua dos profissionais de saúde, no que diz respeito aos conhecimentos e competências clínicas, é talvez o aspecto cujo impacto nos cuidados prestados aos doentes seja mais facilmente reconhecido». Mas não por isso mais importante, assegura. «Da nossa experiência de consultoria, reconhecemos que são as competências comportamentais e organizacionais que permitem o desenvolvimento de melhorias na jornada dos doentes, com diminuição de tempos de espera para diagnóstico de doenças, intervenções terapêuticas precoces e transmissão de informação objectiva e adequada aos utentes sobre a sua doença e saúde.» São também estas competências comportamentais desenvolvidas em equipa que permitem a construção de uma cultura-base reconhecida por todos os profissionais.

Entre os factores-chave que levam as equipas a atingirem a melhoria da qualidade dos cuidados prestados, a profissional de Saúde identifica «a comunicação efectiva entre pares, a gestão de conflitos como uma etapa necessária para a melhoria dos processos, o feedback como uma responsabilidade de todos os elementos da equipa, e a liderança como bússola que orienta e motiva a equipa para os seus objectivos».

E deixa um alerta: «Uma equipa que não reconhece a importância destas competências comportamentais irá cometer os mesmos erros em loop, sem partilha, sem responsabilização e sem melhoria.»

 

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Leia o artigo na íntegra na edição de Agosto (nº. 176) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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