
Susana Silva, El Corte Inglés. Liderar equipas: Múltiplas facetas, um propósito
Num mundo em aceleração, marcado pela transformação digital, liderar equipas tornou-se mais desafiante e mais necessário do que nunca. A tecnologia muda processos, automatiza tarefas, reinventa rotinas. Mas há algo que não pode ser digitalizado: as pessoas.
Por Susana Silva, directora de Pessoas do El Corte Inglés Portugal
Hoje, os líderes não são apenas gestores de tarefas ou transmissores de ordens. São facilitadores da mudança, pontos de referência em contextos incertos e, sobretudo, cuidadores das suas equipas. A liderança ganha novas facetas: é estratégica, emocional, adaptável e, acima de tudo, humana.
A digitalização traz consigo ganhos de eficiência, rapidez e acesso à informação. Porém, também exige das equipas uma enorme capacidade de adaptação. Ferramentas mudam, funções evoluem e, muitas vezes, há insegurança sobre o futuro. Cabe aos líderes criar um ambiente seguro, onde cada pessoa se sinta apoiada, escutada e parte do processo.
Mais do que nunca, é preciso uma liderança empática, que saiba reconhecer sinais de stress, lidar com o medo da mudança e transformar dúvidas em oportunidades de crescimento. Um bom líder é hoje, também, um mediador entre tecnologia e pessoas, alguém que garante que a inovação não desumaniza, mas valoriza.
As equipas precisam de direcção, mas também de inspiração. Precisam de clareza, mas igualmente de escuta. E precisam de líderes que saibam equilibrar todas essas dimensões, ao mesmo tempo que gerem KPI (key performance indicators), adoptam novas plataformas e respondem às exigências de um mercado em constante mutação.
Este novo contexto torna essencial que os líderes desenvolvam competências híbridas: técnicas e relacionais, analíticas e emocionais. Já não basta dominar ferramentas ou conhecer indicadores, é preciso saber comunicar com empatia, dar feedback construtivo, gerir a diversidade e liderar pelo exemplo. A digitalização não substitui o papel das lideranças, pelo contrário, reforça-o.
Automatizam-se processos, mas o sentido de pertença, o compromisso e a cultura continuam a nascer do contacto humano. E é o líder quem define o tom, o ambiente e a energia da equipa.
Por isso, investir no desenvolvimento dos líderes que têm equipas é uma prioridade estratégica. Formações, programas de mentoria e espaços de escuta são essenciais para preparar líderes capazes de enfrentar as exigências tecnológicas sem perder o foco nas pessoas.
Liderar equipas em tempos digitais é mais complexo, mas também mais impactante. É saber mudar processos sem perder o lado humano. É ter várias facetas, técnica, humana, emocional, e saber usá-las com equilíbrio. Porque mesmo num mundo digital, são as pessoas que fazem a diferença.
Este artigo foi publicado na edição de Junho (nº. 174) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.