
Susana Silva, El Corte Inglés: Modernizar não é um luxo, é condição de futuro
No seu comentário à LXI edição do Barómetro Human Resources, Susana Silva, directora de Pessoas do El Corte Inglés, destaca que «O “Trabalho XXI” pode ser um marco histórico, mas só se for acompanhado de diálogo social sério, monitorização eficaz e coragem política para colocar as pessoas no centro. Modernizar não é um luxo: é condição de futuro».
«O barómetro deste mês confirma algo que já é difícil de ignorar: o mercado laboral português precisa de modernização urgente. O anteprojecto “Trabalho XXI” recolhe apoio expressivo – 71% concordam com a maioria das medidas e 69% consideram o projecto importante para o futuro do trabalho em Portugal. Estes números revelam uma abertura clara à mudança.
A valorização do horário flexível (77% de aceitação) mostra que as pessoas já não querem modelos rígidos; procuram equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A formação contínua, mesmo com aceitação de redução para microempresas, deveria ser vista como investimento estratégico, e não como custo a cortar. É preocupante que, em áreas críticas, como a redefinição da dependência económica ou o período experimental, ainda haja tanta divisão: sem confiança, nenhuma reforma será verdadeiramente transformadora.
Na minha leitura, a modernização não pode ser apenas actualizar artigos do Código do Trabalho. Tem de ser uma oportunidade para redesenhar relações laborais mais justas, flexíveis e sustentáveis. O “Trabalho XXI” pode ser um marco histórico, mas só se for acompanhado de diálogo social sério, monitorização eficaz e coragem política para colocar as pessoas no centro. Modernizar não é um luxo: é condição de futuro.»
Este testemunho foi publicado na edição de de Outubro (nº. 178) da Human Resources, no âmbito da LXI do seu Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.