Teletrabalho, porque sim ou porque não

Human Resources
10 de Março 2021 | 11:23

Por Luis Roberto, Managing Partner da Comunicatorium

 

Com a chegada da crise pandémica, quase metade da população ativa da UE foi enviada para teletrabalho.

Segundo o Eurofund (Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho), com base em cerca de 90 mil inquéritos online realizados em Julho, a Bélgica é o país onde a percentagem de pessoas em teletrabalho ultrapassa os 50%, seguindo-se a Irlanda, Itália, Espanha e França, com níveis acima dos 40%.

Portugal surge em sexto lugar, com quase 40% de pessoas em teletrabalho, seguido de perto pela Dinamarca.

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Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, no final do segundo trimestre de 2020, um milhão de pessoas em Portugal estavam em teletrabalho.

O regime de teletrabalho no estado de emergência é distinto no país, conforme a situação epidemiológica, sendo obrigatório em todos os concelhos de risco elevado, muito elevado e extremo, e sempre que as funções em causa o permitam.

Não estão abrangidos os profissionais de saúde, das forças e serviços de segurança, serviços públicos e infraestruturas essenciais, e de instituições sociais.

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Uma das questões em discussão sobre o teletrabalho, é a falta de limites entre o trabalho e a vida não profissional, com um quinto das pessoas em casa a referirem  que trabalham durante o tempo livre.

Mesmo assim, segundo o mesmo estudo, 78% dos colaboradores inquiridos manifestaram preferência por trabalhar em casa, e pensam que este modelo terá manifestamente impacto positivo nas suas vidas.

Existem à partida mais vantagens do que desvantagens para o colaborador em teletrabalho.

Comecemos pela redução dos custos em transportes e o tempo gasto em deslocações. Menos stress, maior autonomia, flexibilidade de horário e o equilibrio da vida familiar, são outras das vantagens, para quem está em teletrabalho.

Importa no entanto ter presente que o serviço de aconselhamento SNS24, contabilizou até ao início do ano 60.000 chamadas, com diagnósticos de ansiedade e stress em resultado do isolamento.

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Para quem está em teletrabalho as viagens executivas deixaram de existir, as pausas são uma opção, a formação e as reuniões de trabalho passaram a ser online, e a dificuldade em desligar o computador é permanente.

Segundo a Ordem dos Psicólogos, é importante que as empresas estejam atentas aos riscos potencialmente causados pelo teletrabalho, i.e. a dificuldade em fazer “off” e o sentimento de isolamento.

As lideranças têm e terão um papel fundamental na gestão e na forma como comunicam com as equipas em teletrabalho. È crucial saber ouvi-las, estar atento ás alterações comportamentais e sensiblizá-las para o uso de rotinas.

Importa garantir a ligação com a empresa e a cultura organizativa, a gestão por objetivos e o incremento dos níveis motivacionais.

Os números mostram que o teletrabalho, impulsionado pela crise pandemica, veio para ficar num regime misto, que permita trabalhar a partir de casa várias vezes por semana, alternando o teletrabalho com o trabalho presencial, existindo a crença em alguns de que o trabalho presencial, afinal, é mais produtivo.

Haverão setores de atividade que permitirão mais facilmente a adoção do teletrabalho, do que outros. Outros casos existirão, em que o trabalho a partir de casa aplicar-se-á apenas a alguns departamentos ou áreas funcionais de apoio aos negócios.

Por último, e não menos importante, as alterações da regulamentação do teletrabalho, deverão ser revistas e garantidas, definindo os critérios a adotar, nomeadamente as condições técnicas e habitacionais mínimas e necessárias, para o bom desempenho em teletrabalho.

Porque sim ou porque não, o teletrabalho veio para ficar.

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