
Um modelo de ensino para um mundo BANI
Por Marta Bicho, directora do IPAM Lisboa
O valor da aprendizagem experiencial na preparação de futuros profissionais é essencial para formar profissionais capazes de liderar à velocidade do futuro. Num mundo BANI (Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível) para agir e liderar com impacto é preciso aliar a teoria à prática.
Tal como Einstein disse “A única fonte de conhecimento é a experiência”, e o modelo tradicional de ensino, centrado na teoria, já não acompanha as exigências de um mercado e sociedade em constante evolução. Por isso, a transformação do ensino superior é crucial para o desenvolvimento das competências dos futuros profissionais, e para a evolução das sociedades e das organizações.
Em particular, nas áreas da gestão e do marketing, onde a inovação e a capacidade de adaptação são factores críticos de sucesso, é essencial preparar os estudantes para um contexto profissional dinâmico, marcado pela tecnologia, pela globalização, pela necessidade de reinvenção contínua, e pelo desenvolvimento de soluções para problemas sociais e ambientais.
A aprendizagem baseada na experiência é uma oportunidade de responder a estas novas exigências. Esta metodologia baseia-se no pressuposto de que a aprendizagem é mais eficaz e duradoura quando o estudante está activamente envolvido na resolução de desafios e problemas reais e na sua prática directa.
Também conhecido por learning by doing, esta assenta na proximidade com o mercado, trazendo para dentro da sala de aula, os desafios e contextos reais das organizações, permitindo que o estudante aplique, no imediato, os conhecimentos adquiridos, e desenvolva simultaneamente competências técnicas e soft skills.
A colaboração, baseada num pressuposto win-win, ganha asas nesta dinâmica experiencial, pois para que a aprendizagem seja um sucesso é preciso garantir um ecossistema colaborativo entre as instituições de ensino e as organizações.
Esta dinâmica tem ganhos para todos os lados. Por um lado, acelera a integração profissional e reduz a curva de aprendizagem dos estudantes e, por outro lado, permite às empresas terem uma nova visão e inovadora para os seus desafios e estarem mais próximos daqueles que serão os futuros profissionais. Se as empresas procuram os melhores profissionais, os estudantes, procuram também, as melhores empresas, onde possam desenvolver-se e crescer.
No ensino do marketing e dos negócios torna-se ainda mais relevante o valor da aprendizagem experiencial; as empresas tornam-se coautoras do processo educativo, contribuindo para currículos mais práticos e alinhados com as competências que o mercado valoriza, e o papel do professor evolui para o de facilitador de experiências, não apenas transmissor de conhecimento.
Ao unir a visão académica à vivência empresarial, o ensino torna-se um verdadeiro laboratório de inovação e estratégia, áreas-chave para quem trabalha com marketing e negócios.