Vera Rodrigues, MC Sonae. O papel dos RH: de guardiões de processos a arquitectos da transformação

Vera Rodrigues, head of People da MC Sonae, destaca que «em 2026, quem se limitar a ajustar políticas vai perder. Mas quem tiver a coragem de desafiar a cultura vigente, mobilizando os vários níveis de liderança, será capaz de desencadear um verdadeiro movimento de transformação nas empresas».

«O 62.º Barómetro mostra uma espécie de déjà-vu: os salários sobem moderadamente, a fidelização de talento continua crítica e a inteligência artificial entra no radar como prioridade.

No entanto, esta aparente continuidade pode ser profundamente enganadora. Se, por um lado, os desafios nos parecem familiares, a verdade é que a resposta dos líderes e das empresas não pode simplesmente ser “mais do mesmo”. Quando projectamos a gestão de talento do futuro, há que reforçar a capacidade de reflectirmos e revisitarmos dimensões como a cultura organizacional, as práticas de feedback e de escuta permanente e activa da parte dos líderes, perante as pessoas.

Resolver velhos problemas exige a coragem para experimentar soluções diferentes. Uma verdadeira estratégia de gestão de talento não é compatível com políticas estáticas, mas com uma cultura de desafio contínuo, de flexibilidade e, muitas vezes, de aprendizagem com base no erro. Em 2026, quem se limitar a ajustar políticas vai perder. Mas quem tiver a coragem de desafiar a cultura vigente, mobilizando os vários níveis de liderança, será capaz de desencadear um verdadeiro movimento de transformação nas empresas. É hora de as lideranças de Recursos Humanos se assumirem no seu papel de enablers da mudança, questionando processos e práticas que já deixaram de entregar valor.

A questão é simples: vamos continuar a apagar fogos ou vamos redesenhar o futuro da gestão de talento?»

 

Este testemunho foi publicado na edição de de Dezembro (nº. 180) da Human Resources, no âmbito do seu LXII Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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