Análise conclui que a oferta do mercado de arrendamento em Portugal precisa de crescer para dar resposta à procura

De acordo com dados de 2019 do Eurostat, apenas 26% dos portugueses residem em habitações alugadas.

Mas, uma análise da consultora imobiliária internacional Savills sugere que a porção da população portuguesa no mercado de arrendamento poderá vir a crescer, fruto dos efeitos negativos lançados pela pandemia de COVID-19 sobre as fontes de rendimento e de uma maior dificuldade de acesso ao crédito habitação.

O relatório “Built-to-Rent: More than a trend”, da Savills, avança que a oferta no mercado de arrendamento não corresponde à forte e crescente procura e apresenta preços demasiado elevados para a qualidade do produto apresentado.

No quadro europeu, as famílias portuguesas são as que mais contraem dívidas para a aquisição de habitação, estimando-se que, em média, aloquem cerca de 40% dos seus rendimentos todos os meses para o pagamento das prestações de empréstimo contraídos.

Os dados evidenciam também que existe um desequilíbrio entre a evolução dos rendimentos dos portugueses e os preços de compra de habitação, com um mercado que fica aquém da capacidade financeira de muitos. Assim, o arrendamento apresenta-se como uma necessidade, mais do que como uma tendência ou escolha, para os segmentos demográficos mais jovens e para várias famílias, designadamente as monoparentais, que tenham dificuldades no acesso a créditos à habitação. Os dados mostram que, entre 2015 e 2020, os preços de habitação subiram mais 31% do que os rendimentos dos portugueses.

Uma solução para colmatar a escassez da oferta no mercado de arrendamento, e dar resposta a uma procura cada vez mais intensa, é o modelo “Build-to-Rent” (BTR), no contexto do qual se desenvolvem projetos multifamily (várias unidades residenciais inseridas num só edifício, ou repartidas num complexo de edifícios que se inserem numa mesma contiguidade), um segmento que tem registado um crescimento significativo na Europa no decorrer dos últimos anos.

Constituem-se como fatores de potenciação da atratividade do modelo BTR a sua resiliência e impermeabilidade face aos ciclos económicos, a sua estabilidade e a possibilidade de estabelecimento de rendimentos a longo-prazo e de diversificação das carteiras de investimento.

 

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