Como usar a inteligência artificial para aumentar as capacidades humanas é o grande desafio

Margarida Lopes
9 de Maio 2023 | 19:20

O membro do Grupo Informal sobre Literacia Mediática (GILM), Sérgio Gomes da Silva, considera que o «grande desafio» da inteligência artificial (IA) é como utilizar esta ferramenta «para aumentar as capacidades humanas».

 

O GILM, da qual a Lusa é parceira, está a promover de 3 a 9 de Maio a 11.ª edição da operação nacional «7 Dias com os Media», dedicada este ano ao tema da IA e dos algoritmos.

«Acho que o grande desafio é como utilizar a inteligência artificial para aumentar as capacidades humanas e o potencial é verdadeiramente extraordinário», afirma Sérgio Gomes da Silva, que também é director de serviços de relações internacionais e comunicação da secretária-geral da Presidência do Conselho de Ministros.

«Estas ferramentas têm o potencial de revolucionar a humanidade porque a produção científica com o recurso a estas ferramentas vai ser verdadeiramente extraordinária», prossegue, adiantando que «uma das características da história é a aceleração constante e com estas ferramentas a aceleração dos próximos anos e décadas será certamente vertiginosa».

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Embora a inteligência artificial tenha vantagens, também é preciso «prevenir» usos manipulatórios e que não correspondam a princípios éticos. «Por isso é que não exagera quem prevê que a inteligência artificial terá um impacto na humanidade muito maior do que teve qualquer dos saltos tecnológicos anteriores», da roda à electricidade, passando pela computação, entre outros, refere.

Esta iniciativa «tem uma âncora digital, a página www.7diascomosmedia.gilm.pt, que convido todos a visitar», a qual tem desafios que os visitantes podem tentar desenvolver, simples, «mas que convidam a reflectir sobre o tema» da inteligência artificial, salienta.

O sucesso do ‘chatbot’ ChatGPT, da OpenAI, aumentou o debate sobre a IA e o seu papel, isto porque este modelo de IA generativa pode gerar textos que se confundem como feitos por humanos e até imagens falsas, como também gerar informação falsa e plagiar, levantando preocupações éticas e sociais.

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O Grupo Informal sobre Literacia Mediática «já há bastantes anos que tem tentado desenvolver a percepção da opinião pública sobre a importância que os meios de comunicação desempenham, que têm na vida das pessoas» e, hoje , «vivemos imersos em conteúdos mediáticos», sejam notícias, sejam de entretenimento, que influenciam a forma como se olha o mundo, prossegue.

«Nesse sentido, é fundamental desenvolver o sentido crítico, da capacidade de discernimento», que permita lidar com a abundância de conteúdos e também ser proactivo na criação de conteúdos, incorporando uma dimensão ética, diz. Sobre o impacto destas iniciativas, o membro da GILM afirma não ser imediato. «O impacto destas iniciativas não se vê no curto prazo, a minha percepção é que funcionam no médio e no longo prazo», aponta.

Este ano, a propósito do Dia Mundial da Imprensa, «assisti a certas peças e actividades que formalmente não se associaram aos ‘7 Dias com os Media’, mas que parecem ser resultado de uma cultura que foi criada destes 11 anos de iniciativas». Destaca ainda a iniciativa que a Direcção-Geral de Educação desenvolveu, em parceria com o Público na Escola, que envolveu cerca de 160 alunos e professores de todo o país que marcaram presença no 2.º Encontro Nacional de Jovens Jornalistas, em Mafra. Nesta iniciativa falaram também de jornalismo e inteligência artificial, entre outros temas.

«Muito provavelmente esta semente vai germinar e dar frutos» no futuro, sublinha. A operação “7 Dias com os Media” conta com três embaixadores convidados, dois deles portugueses, que têm a missão de apoiar a divulgação da operação e de dar visibilidade a temáticas relacionadas com a literacia mediática, nomeadamente a da inteligência artificial e a dos algoritmos de inteligência artificial.

Entre as questões que servem de reflexão, inspiração e desafio estão o que são algoritmos e como afectam a vida diária online e offline; de que forma influenciam as pesquisas online, o funcionamento das redes sociais e outras tecnologias; que impacto têm na privacidade e segurança online, entre outros. A iniciativa também tem presença nas plataformas Facebook, LinkedIn, Instagram e YouTube.

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