Viver em permanente pressão…

Por Ricardo Florêncio

 

Vivemos numa era marcada pela velocidade, pela constante exigência e por uma sensação generalizada de pressão. Hoje, as pessoas enfrentam uma multiplicidade de desafios que afectam profundamente a sua qualidade de vida: o stress contínuo, uma certa insegurança financeira (num tempo em que também imperaram alguns conflitos familiares), a avalanche de informação, cujo teor é maioritariamente carregado de negatividade, são apenas alguns dos factores que afectam o nosso dia-a-dia.

Esta realidade reflecte-se, inevitavelmente, no desempenho das pessoas nas empresas. E assim tem vindo a verificar-se um aumento dos níveis de ansiedade, burnout e desmotivação. Os colaboradores chegam aos seus locais de trabalho já desgastados pelas exigências da sua vida pessoal, o que reduz a sua capacidade de foco, criatividade e resiliência.

Adicionalmente, o ambiente global, marcado por incertezas de diversos níveis, económico e políticos, cria um clima de insegurança constante, com impacto no bem-estar emocional e psicológico de todos.

As relações interpessoais no local de trabalho também sofrem com este cenário. A empatia e a escuta activa são substituídas, muitas vezes, por impaciência, intolerância e isolamento. Equipas que antes colaboravam de forma natural tornam-se menos coesas – e os conflitos tornam- -se mais frequentes –, ou então dispersam-se, criando verdadeiras ilhas dentro das organizações.

Obviamente que tudo isto tem impacto na produtividade e nos resultados. E é importante lembrar que as empresas também enfrentam uma pressão constante para apresentar resultados, cumprir objectivos e manter a competitividade.

O grande desafio que se coloca é encontrar um equilíbrio constante entre o cuidado com as pessoas e a necessidade de apresentar resultados. Não é fácil, não será fácil, mas é o único caminho.

Editorial publicado na revista Human Resources nº 172, de Abril de 2025

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