
Joana Queiroz Ribeiro, Fidelidade: Diversidade, longevidade e bem-estar
São três variáveis da mesma equação. E o resultado que se pretende é ter empresas – e sociedades – mais sustentáveis e humanas.
Por Joana Queiroz Ribeiro, directora de Pessoas e Organização da Fidelidade
Nas empresas falamos frequentemente sobre o desafio dos fluxos migratórios. Sobre o equilíbrio entre quem chega e quem parte, e sobre a crescente competitividade dos mercados de trabalho, que exigem competências cada vez mais diversificadas.
Fala-se, também com maior assiduidade, de organizações cada vez mais diversas, o que obriga a um reforço efectivo da inclusão e eleva as exigências em termos de equidade e sentido de pertença de todas as pessoas. Ninguém duvida de que é mais fácil sermos equitativos e sentirmos que somos parte de uma comunidade quando somos mais iguais entre nós.
Integrar efectivamente implica respeitar a individualidade de cada pessoa. Implica criar espaços seguros para trabalhar e ambientes onde a empatia, o respeito, a escuta activa e a proximidade são abundantes, permitindo que cada um se sinta bem.
Estas são razões que reforçam a necessidade de repensar o bem-estar nas organizações. Gosto de traçar um paralelo entre a forma como cuidamos dos clientes e como cuidamos dos colaboradores. Há muitos anos que procuramos oferecer a melhor experiência possível aos clientes: estudamos o seu contexto, hábitos, necessidades e expectativas. Podemos aplicar o mesmo rigor aos nossos colaboradores, desenhando a melhor experiência e humanizando cada vez mais esse percurso.
As empresas não se preocupam com o bem-estar por mero acaso. A diversidade é uma realidade, e as organizações que são mais diversas melhoram a performance, fomentam a inovação e aumentam a produtividade. Se cuidarmos do bem-estar interno – num contexto de diferenças cada vez maiores entre as pessoas –, teremos ambientes mais positivos e humanos, e as pessoas tenderão a permanecer onde se sentem bem.
A esta realidade soma-se outra variável: a longevidade. É essencial incluir a longevidade na equação da diversidade e do bem-estar, pois sabemos que vamos todos viver mais tempo.
O grande desafio é garantir qualidade de vida ao longo desse tempo acrescido. Falo não só de saúde física, mas também mental e financeira. Tanto os indivíduos como as organizações devem estar conscientes desta realidade e preparar-se adequadamente.
Recentemente, conhecemos os resultados de um estudo que foi realizado ao longo de 20 anos, em cinco regiões do mundo onde a taxa de centenários é elevada – duas na Europa (aldeias na Sardenha e na Grécia) – que identificou nove variáveis comuns às chamadas “zonas azuis”. Em geral, as pessoas são activas: cuidam dos jardins, caminham, sobem e descem ruas ou escadas, reúnem-se para jogos; vivem em lugares que as obrigam ao movimento, e a própria cultura incentiva a sentarem-se e levantarem-se frequentemente. Têm uma resposta clara à pergunta “porque me levanto todos os dias?”. Não sofrem de stress crónico, comem apenas até estarem 80 % satisfeitas, adoptam dietas ricas em leguminosas, pertencem a comunidades, põem a família em primeiro lugar, e garantem segurança financeira por meio de fundos mútuos. Por fim, convivem regularmente com amigos, família e comunidade, o que traz alegria e positividade às suas vidas.
Estas práticas são referências valiosas. Tanto para uma reflexão individual, mas também para as empresas, que podem desafiar as suas políticas e promover, de facto, estilos de vida mais saudáveis. Podem ir ainda mais longe, valorizando a experiência e o conhecimento dos mais velhos – aproveitando a sua sabedoria –, ajudando-os a prepararem-se para se manterem activos por mais tempo e, quando necessário, a trabalhar mais anos por razões financeiras, apoiando a criação de planos alternativos e incentivando percursos profissionais paralelos aos que existem hoje.
Não esqueçamos, porém, que o papel das empresas privadas depende fortemente das políticas públicas que formos capazes de criar. Sejamos todos influenciadores – empresas e decisores – para construir, juntos, este futuro.
Este artigo foi publicado na edição de Junho (nº. 174) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.