Pedro Ramos, Keeptalent Portugal: “A culpa morre solteira?” Quando as lideranças conhecem o problema, mas não fazem nada…

No seu comentário à LVIII edição do Barómetro Human Resources, Pedro Ramos, CEO da Keeptalent Portugal, acredita que «Portugal não vai melhorar a sua produtividade se os seus líderes preferirem apontar os dedos, em vez de agir. Chega de culpar o sistema, se na sua maioria, os responsáveis que estão à frente das organizações têm a grande responsabilidade de liderar a mudança de forma efectiva».

 

Os resultados do mais recente Barómetro da Revista Human Resources Portugal colocam-nos perante uma reflexão (muito) incómoda: Portugal enfrenta uma grave crise de produtividade, reconhecida pelos próprios líderes das empresas. A maioria admite que o principal obstáculo é a “falta de cultura de trabalho”, “má gestão do tempo” e, sobretudo, das “chefias e liderança”. E, no entanto, também apontam as lideranças, de topo e intermédias, como responsáveis pelo peso mais significativo nesta problemática – quase metade considera-as as principais responsáveis deste “problema”.

Então, pergunto: se todos sabem o que está errado, se as lideranças reconhecem, ainda por cima, que não estão preparadas para as novas gerações, e mesmo assim, pouco ou nada fazem para mudar a situação, de quem é a responsabilidade real? Quem deve liderar a mudança se o próprio topo reconhece a sua insuficiência, e os níveis intermédios parecem estar paralisados?

Mais irónico, ainda, é o facto de que 30% dos respondentes dizem que as suas empresas não estão preparadas para as novas gerações, mas estão “a preparar-se” (!). Ou seja, enquanto o País continua a “reclamar” os baixos índices de produtividade, parece andarmos pelo menos “distraídos” e despreocupados sobre de que parte venha a mudança a surgir… Extrapolando os resultados, parece que as lideranças (respondentes) parecem continuar a ter pouca vontade de liderar essa transformação.

Se as lideranças conhecem o problema, se sabem quem deve resolvê-lo, porque continuam a fazer de conta que a percepção “não é comigo” é uma estratégia válida? A passividade, disfarçada de análise e preparação, revela-se como parte do problema, não da solução. Portugal não vai melhorar a sua produtividade se os seus líderes preferirem apontar os dedos, em vez de agir. Chega de culpar o sistema, se na sua maioria, os responsáveis que estão à frente das organizações têm a grande responsabilidade de liderar a mudança de forma efectiva. Caso contrário, a culpa continuará a morar – e a morrer – solteira!»

 

Este testemunho foi publicado na edição de de Junho (nº. 174) da Human Resources, no âmbito da LIX do seu Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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