
A Gestão de Pessoas como guardiã de um uso de poder ético nas organizações
Por António Saraiva, Business Development manager da ISQ Academy
O poder é um elemento central nas organizações, influenciando decisões, comportamentos e resultados. Compreender como o poder é adquirido, exercido e mantido é fundamental para a líderança, o exercício da gestão e para as pessoas que trabalham na organização.
O poder raramente é distribuído de forma igual. Líderes e gestores tendem a concentrar mais poder, mas os colaboradores também podem exercer influência, especialmente através do conhecimento ou redes informais. Diversas dinâmicas podem instalar-se a este nível nas organizações. O uso do poder está frequentemente ligado à política interna, onde alianças, negociações e jogos de influência são comuns. O exercício do poder pode gerar resistência, conflitos e até sabotagem, especialmente quando é percebido como injusto ou autoritário.
Deve ser usado de forma ética, promovendo o bem-estar colectivo e o desenvolvimento organizacional. Neste contexto, usar o poder de forma ética significa exercer influência respeitando direitos, promovendo justiça, transparência e o bem comum, e evitando abusos ou manipulações. Vários dilemas éticos são, infelizmente, comuns no uso do poder: nepotismo e favoritismo, manipulação de informação, coerção e intimidação e discriminação.
O abuso de poder ou o uso antiético do mesmo conduz a um clima organizacional negativo, perda de talentos, danos na reputação da marca e riscos legais. O poder é inevitável nas organizações, mas o seu uso consciente e ético é o que diferencia líderes eficazes de gestores autoritários. Compreender as dinâmicas do poder permite criar ambientes mais justos, produtivos e inovadores, respeitando-se princípios como a transparência, justiça, responsabilidade, respeito e accountability.
A Gestão de Pessoas actua como guardiã dos valores organizacionais e da ética, com uma forte responsabilidade na promoção da ética no exercício do poder, desde o desenvolvimento de políticas claras, tornando explícito o que é aceitável e o que não é. Tem de ter em agenda a realização de formação sobre ética, liderança e uso responsável do poder, preparando líderes e colaboradores para lidar com os dilemas éticos. Mas, também, incorporar critérios de comportamento ético e uso do poder nas avaliações do desempenho e na política de desenvolvimento de carreira. E, ainda, criar mecanismos seguros e confidenciais para que os colaboradores possam relatar abusos de poder sem receio de retaliação, bem como actuar como mediadora em situações de abuso de poder, promovendo soluções justas e imparciais.
A Gestão de Pessoas deve incentivar os líderes a serem modelos de comportamento ético, promovendo uma cultura de respeito e integridade. A valorizarem e a reconhecerem atitudes éticas e o uso positivo do poder. Sem se esquecer a relevância que o poder não seja usado para discriminar, mas sim na promoção da equidade e inclusão. Exige-se acima de tudo neutralidade, actualização constante e uma cultura organizacional em que se viva a ética e que não seja tão só um discurso formal.
A Gestão de Pessoas é a peça-chave para garantir que o poder seja exercido de forma ética, transparente e responsável. Ao criar políticas, promover a formação e actuar como mediadora, contribui definitivamente para um ambiente organizacional mais justo, saudável e sustentável.