Mais de três anos após pandemia, o teletrabalho ainda cresce e chega já a mais de 1,1 milhões de trabalhadores. Mas um quinto trabalha remotamente apenas fora do horário normal. No fim do ano passado, o teletrabalho alcançou um novo máximo, chegando já a 21,2% da população empregada.
Os dados do inquérito ao emprego do quarto trimestre do Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que no final do ano passado o universo daqueles que exerciam funções remotamente através de tecnologias de informação e comunicação – a definição de teletrabalho – era de 1.129,4 milhares de indivíduos.
Segundo o Jornal de Negócios, este é o valor absoluto mais alto de sempre na série estatística disponibilizada pelo INE, e que arranca na primavera de 2022, já com uma metodologia estável que não permite comparações com o período da pandemia. Os 21,2% representam um novo máximo também em proporção da população empregada, depois de o teletrabalho ter aumentado a quase o dobro do ritmo daquele em que cresceu o número total de trabalhadores do país. A população em teletrabalho ficou no quatro trimestre 6,7% acima de um ano antes, período em que a população empregada subiu apenas 3,7%.
Já numa análise por sectores de actividade, a educação concentra o maior fatia de indivíduos em teletrabalho (16,6% do total), seguindo-se as actividades de informação e comunicação (15,8%) e as atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (13,4%).
Apesar do peso forte destes sectores na distribuição do teletrabalho, as taxas de acesso por sectores sugerem margens significativas ainda para crescimento do teletrabalho. Se o sector de informação e comunicação é o mais permeável a actividade remota (77% dos trabalhadores exercem-na), nas actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares a percentagem de acesso é apenas de 51,8%, sendo que actualmente entre a função pública – excluindo profissionais da educação e saúde – apenas 18% têm acesso a teletrabalho.
Os últimos dados do INE mostram que o chamado regime híbrido de teletrabalho continua a prevalecer, sendo o modelo adotado em 40,4% dos casos. A actividade remota em permanência acontece em 23,8% das situações, e o recurso apenas pontual a teletrabalho em 15%. Há ainda 20,8% das situações de teletrabalho que correspondem a trabalho que é executado remotamente fora do horário de trabalho. ou seja, os trabalhadores realizam o seu horário presencialmente, mas acabam por levar trabalho para casa após o expediente normal. Quase metade, 45%, são trabalhadores da educação.














