Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs
Vamos a contas? Na matemática organizacional, somar é importante, mas multiplicar é estratégico. O mundo precisa de organizações menos “quadradas” e de pessoas que pensem fora da caixa. Um talento isolado acrescenta valor, talentos interligados multiplicam-no. E quando essa interacção gera algo novo, entramos no domínio da sinergia.
O princípio é simples: o todo é maior do que a soma das partes. Numa equipa verdadeiramente sinérgica, 1+1 pode ser 3, 5 ou 10. Porque o valor não está apenas nos elementos, mas na qualidade da interacção entre eles. É esta a essência do trabalho em equipa. Muitas organizações ainda operam em lógica de adição: distribuem tarefas, somam contributos e esperam resultados. Mas equipas de alta performance trabalham numa lógica de multiplicação e o produto final é a partilha de conhecimento, a amplificação de competências e a construção de soluções colectivas.
O intraempreendedorismo cresce precisamente nestes espaços exponenciais de interdependência inteligente, onde a colaboração não é apenas coordenação, mas sim co-criação. Mas para multiplicar é preciso alinhar. Na geometria, linhas paralelas nunca se cruzam; nas organizações, pessoas desalinhadas também não convergem em resultados. O alinhamento funciona como um denominador comum: permite que diferentes competências operem com coerência.
Por outro lado, as organizações devem evitar subtrair. Subtrair autonomia, iniciativa, ou espaço para experimentar. A inovação vive de tentativa, iteração e aprendizagem, pois nem sempre se acerta à primeira. No entanto, também a divisão merece reflexão. Dividir tarefas pode aumentar eficiência, mas dividir propósito fragmenta o compromisso.
O desafio da liderança é fazer uma divisão funcional que maximize a unidade do sistema. É usar o “círculo de influência”, com propriedades associativas. Porque as equipas não são fracções isoladas, são partes de uma equação maior e que podem não resistir aos elementos absorventes da liderança.
Feitas as contas, no final existe o símbolo mais poderoso da transformação: o delta (). Na matemática, o delta representa variação, mudança entre um estado inicial e um estado final. Na vida real, é a diferença entre onde estamos e para onde queremos chegar. Mas o delta é também um triângulo, uma forma estruturalmente estável. E esta talvez seja a metáfora perfeita para o intraempreendedorismo: a mudança precisa de estrutura para acontecer.
É preciso ter uma base, ainda que se tenham de ir limando algumas arestas… Este triângulo pode ser lido em três vértices essenciais: iniciativa, colaboração e execução. Sem iniciativa, não há movimento. Sem colaboração, não há sinergia. Sem execução, não há resultado. O intraempreendedor é aquele que opera nesse triângulo, reduzindo a distância () entre o problema e a solução.
As organizações precisam de rever a sua matemática interna. Somar talento já não chega. É preciso multiplicá-lo através da colaboração, potenciar a sinergia para que o todo ultrapasse as partes, evitar subtracções desnecessárias e usar o delta como símbolo permanente de evolução.
Já calcularam como seria um mundo organizacional assim?
Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº. 185) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














