«Quando os principais desafios do mercado de trabalho são a baixa produtividade e a atracção de talento, ambos com 19%, seguidos do envelhecimento da população activa, com 16%, retenção e expectativas salariais, com 14%, torna-se claro que o problema é estrutural. Portugal precisa de mais produtividade, mais qualificação, mais capacidade de retenção e melhores modelos de organização do trabalho.
Há, contudo, um desalinhamento relevante. Apenas 29% considera que a proposta de revisão laboral responde, no essencial, às necessidades do futuro do trabalho; 48% vê esse alinhamento como apenas parcial. Os temas prioritários identificados, curiosamente, continuam centrados em matérias tradicionais: despedimentos e compensações, com 45%, e banco de horas e contratação a prazo, ambos com 32%.
Mas a agenda das empresas já é outra. As principais expectativas são atrair e reter talento, com 68%, desenvolver lideranças e reforçar cultura organizacional, ambas com 45% e 71% aponta os perfis técnicos e especializados como os mais difíceis de recrutar. Sem talento, liderança, cultura e novos modelos de trabalho, não há produtividade sustentável.
A IA é parte da equação, mas ainda longe da maturidade necessária: só 19% das organizações se sentem bem preparadas para as suas exigências legais e 78% dos processos de recrutamento mantêm-se manuais ou suportados por software sem IA.
O futuro do trabalho exige mais do que rever regras. Exige uma agenda integrada de produtividade, talento, tecnologia e governação. E os dados não deixam dúvidas sobre o que está em jogo: 74% reconhece que a lei laboral tem impacto determinante ou considerável na competitividade das empresas e do País. Legislar bem deixou de ser apenas uma questão de relações de trabalho, mas uma decisão de investimento e de crescimento económico.»
Este testemunho foi publicado na edição de Junho (nº. 186) da Human Resources, no âmbito do seu LXV Barómetro.
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