O alerta foi proferido durante o evento SHRM26, que teve lugar em Orlando, nos EUA, no final no mês passado. A adaptação passa por abandonar processos obsoletos e focar em competências humanas e estratégicas, noticia o HR Dive.
Taylor destacou que o sector pode caminhar para uma espécie de extinção caso não consiga acompanhar as profundas mudanças que estão a remodelar o mundo do trabalho.
Transformação necessária para evitar a irrelevância
O CEO da maior associação mundial de Recursos Humanos sublinhou que o perigo não reside apenas na inteligência artificial, mas sobretudo na resistência a abandonar modelos, processos e prioridades que já não respondem às necessidades reais das empresas e dos trabalhadores. Para Johnny C. Taylor Jr., osprofissionais da área devem questionar-se honestamente se estão preparados para mudar e se estão a contribuir para que as organizações enfrentem os desafios do futuro, em vez de se concentrarem em tarefas transacionais que podem ser automatizadas.
Apesar dos receios comuns, o CEO defende que a inteligência artificial vai substituir sobretudo tarefas operacionais e não profissionais completos. O problema surge quando os departamentos de RH continuam a dedicar grande parte da sua energia a essas tarefas que podem ser automatizadas. Assim, o valor dos RH terá de migrar para competências tipicamente humanas, como a interpretação de contextos, construção de cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças, gestão de conflitos, tomada de decisão ética e compreensão do comportamento humano.
«A IA não está a substituir os RH. Mas profissionais que não a utilizarem perderão espaço para quem sabe como usá-la», alertou.
Contexto de múltiplos desafios
O executivo enquadra esta necessidade de mudança num cenário global complexo, que inclui envelhecimento da força de trabalho, escassez de profissionais qualificados, necessidade de requalificação, mudanças geracionais, polarização social e transformação digital acelerada. Designando este conjunto de dificuldades como uma “policrise”, Taylor defende que os RH devem assumir um papel central na construção das respostas organizacionais.
No entanto, para isso acontecer, os RH precisam de se tornar visíveiscomo parte da solução. Caso contrário, correm o risco de se tornar irrelevantes.
Outro ponto destacado foi o afastamento de parte da profissão dos temas que verdadeiramente impactam os resultados das empresas. Taylor defende que os RH devem compreender profundamente o negócio, os riscos estratégicos e as transformações económicas que afectam as organizações, deixando de se limitar à Gestão de Pessoas.
Ainda que o CEO da SHRM não preveja o desaparecimento dos RH, acredita que estamos perante um momento decisivo de reinvenção. «Devemos ter a coragem de reconhecer as nossas fraquezas e pontos fortes com clareza. Temos de ser decisivos, analíticos, priorizar o negócio, focar em soluções e assumir plena responsabilidade pelas funções que desempenhamos na organização», concluiu.














