As novas gerações como motor de transformação

Opinião de Beatriz Bacelar, head of People & Culture da Critical FlyTech

Human Resources
26 de Agosto 2026 | 11:00
As novas gerações como motor de transformação

Por Beatriz Bacelar, head of People & Culture da Critical FlyTech

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Investir em talento júnior é, hoje, uma decisão estratégica para o crescimento das organizações. Num mercado de trabalho cada vez mais dinâmico, as empresas que apostam em recém-formados estão a construir as competências, a cultura e a capacidade de inovação de que necessitarão no futuro. Este movimento reflecte uma mudança de paradigma: o talento júnior deixa de ser visto apenas como um recurso em formação para passar a ser reconhecido como um parceiro de transformação, numa relação de aprendizagem mútua entre empresa e profissional.

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Esta aposta ganha particular relevância num contexto em que a actualização contínua de competências é uma necessidade crescente. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, cerca de 39% das competências actualmente valorizadas no mercado de trabalho deverão sofrer alterações até 2030. Neste cenário, os jovens profissionais chegam às organizações com contacto recente com novas metodologias, ferramentas digitais e abordagens contemporâneas, trazendo conhecimento actualizado e novas formas de pensar os desafios do negócio.

A aposta em talento júnior começa, muitas vezes, antes do recrutamento. As organizações que estabelecem relações próximas com universidades, institutos politécnicos e outras entidades de ensino conseguem compreender mais rapidamente as competências emergentes, antecipar tendências e aproximar-se dos profissionais que irão entrar no mercado de trabalho. Através de programas de estágios, palestras, projectos académicos ou iniciativas de colaboração com docentes e estudantes, as empresas não só aumentam a sua capacidade de atrair talento, como contribuem activamente para aproximar o contexto académico da realidade empresarial. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tem destacado a importância desta ligação para garantir um maior alinhamento entre a formação académica e as competências procuradas pelos empregadores.

Para além da componente técnica, o talento júnior desempenha um papel importante na evolução cultural das organizações. As novas gerações trazem perspectivas diferentes, curiosidade e vontade de questionar práticas estabelecidas, incentivando a inovação e a melhoria contínua. Ao mesmo tempo, desafiam as empresas a evoluir, promovendo ambientes de trabalho mais flexíveis, inclusivos e alinhados com as expectativas dos profissionais mais jovens.

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Importa reconhecer que o sucesso desta estratégia depende de uma estrutura de integração sólida. O talento júnior necessita de orientação, acompanhamento e precisa de objectivos bem definidos. Modelos de tutoria, nos quais profissionais mais experientes apoiam directamente o desenvolvimento dos mais jovens, permitem acelerar a autonomia sem comprometer a qualidade da aprendizagem. Esta dimensão é particularmente relevante quando se considera que, de acordo com o Deloitte Global Gen Z and Millennial Survey 2025, as novas gerações valorizam oportunidades de aprendizagem, desenvolvimento, orientação e equilíbrio entre vida pessoal e profissional como factores centrais na sua experiência de trabalho. Quando este processo de integração falha, aumentam os riscos de desmotivação e rotatividade e perda de potencial humano, reduzindo o retorno do investimento realizado.

Uma integração positiva tem um impacto significativo a médio e longo prazo. Profissionais bem integrados costumam evoluir rapidamente e criar um efeito em cadeia dentro das equipas. Cada geração de talento júnior forma a seguinte e contribui para uma cultura de aprendizagem que acontece em ambos os sentidos.

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Em última análise, contratar talento júnior é investir na capacidade de uma organização se reinventar continuamente. As empresas que conseguem equilibrar a experiência sénior com a energia e a perspectiva das novas gerações, mantendo uma ligação próxima aos ecossistemas académicos que as formam, revelam-se organizações mais resilientes, adaptáveis e preparadas para o futuro. Porque crescer implica invariavelmente aprender em conjunto.

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